O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 05/05/2018

A depressão é considerada pela OMS como uma das doenças mais incapacitantes do mundo. No Brasil, dados do departamento de informática do SUS mostram um assustador crescimento de 715% no número de mortes relacionadas à doença. Nesse cenário, ao afetar principalmente a juventude, a problemática do aumento da depressão se deve tanto à pressão social e pessoal vivida na contemporaneidade, quanto ao desconhecimento acerca do assunto e urge por medidas refreadoras.

Em primeiro lugar, é evidente que a pressão exercida sobre o jovem é fator potencial para o desenvolvimento da depressão. Nesse sentido, em âmbitos como vida profissional e pessoal os jovens são intensamente cobrados pelos padrões sociais existentes e por si mesmos e tentam a todo custo atingir uma perfeição claramente inalcançável. Além disso, por conta da fluidez da hodiernidade,-denominada pelo sociólogo Zygmunt Bauman como modernidade líquida- a juventude mostra-se cada vez mais apressada e impaciente e se decepciona ao perceber que carreiras bem sucedidas ou relacionamentos estáveis, por exemplo, demandam tempo e esforço. Por conseguinte, muitos jovens, ao tentar atender às expectativas sobre eles colocadas, ficam frustrados, ansiosos e estressados, condições que podem facilmente provocar o surgimento da doença.

Ademais, cabe enfatizar que, muitas vezes, a depressão nem sequer é reconhecida. Isso porque, no contexto juvenil, há uma grande falha por parte de pais e professores em entender os mecanismos biológicos e psicológicos que desencadeiam o problema. Nesse sentido, o diálogo sobre o assunto - que, segundo a OMS, é a melhor maneira de tratar a depressão- é quase inexistente e a doença acaba sendo negligenciada e até mesmo vista como ‘drama’ adolescente. Em virtude disso, o jovem não compreende o que sente e, por não receber auxílio algum, afunda progressivamente na doença, podendo cometer atos extremos, como o suicídio que, de acordo com o Mapa da Violência de 2017, aumentou cerca de 10% entre jovens de 15 a 29 anos, desde 2002.

Torna-se evidente, portanto, que a aumento da depressão entre os jovens brasileiros é um problema  grave, ocasionado por uma soma de fatores psicológicos, biológicos e sociais, por isso, medidas são necessárias para mitigar essa questão. É dever do governo, por meio do MEC, distribuir nas escolas cartilhas educativas sobre o assunto e promover palestras que envolvam psiquiatras, psicólogos, pais e professores e que busquem explicar os mecanismos e sintomas da doença e ensinar maneiras de preveni-la com uso de exercícios para fortalecimento da saúde mental. A mídia, por sua vez, deve desenvolver ficções engajadas que mostrem como a doença se manisfesta e as formas de tratá-la. Tudo isso com o escopo de recuperar a essência inovadora e batalhadora da juventude brasileira.