O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 26/05/2022

Em 2020, devida às complicações da pandemia causada pela COVID-19, a ONU se manifestou identificando o acesso à internet como um direito humano que não deve ser violado. Todavia, a prática deturpa a teoria, já que muitos cidadãos brasileiros vivem sem acesso à internet, e assim têm a sua cidadania e seus direitos negados. Para a reversão deste quadro, faz-se necessário analisar suas causas, tais como: as desigualdades sociais e a negligência estatal.

De início, é importante ressaltar que as disparidades econômicas encontradas no Brasil potencializam a exclusão digital entre os brasileiros. Sob essa ótica o escritor Ariano Suassuna defende a existência de uma injustiça secular capaz de dividir a nação em duas vertentes: a dos favorecidos e a dos despossuído. Nesse sentido, a parcela que se encontra no grupo desfavorecido não é detentora de poder aquisitivo que permita o acesso à internet, o que tonifica a privação desse público acerca dos benefícios promovidos por essa ferramenta, como redes sociais e bibliotecas “on-line”. Logo, são necessários meios que possibilitem a inclusão tecnológica da população vítima da desigualdade secular.

Ademais, a ineficácia governamental é identificada como propulsora do problema. Nesse contexto, o pensador Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã” , defende a obrigação do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso comum. Por esse ângulo, o comportamento do Estado, a partir da análise de Hobbes, seria identificado como equivocado, dado o pouco auxílio do governo no que tange ao fornecimento de utensílios tecnológicos à população necessitada, os quais são um dos requisitos para o acesso à internet. Assim, enquanto não houver uma ressignificação desse árduo panorama, manter-se-á em vigor a inserção desigual à internet no Brasil.

Portanto, a fim de garantir o acesso à intenet para todos, cabe ao Ministério da Tecnologia, criar ambientes públicos que tenham dispositivos conectados à rede mundial. Isso deve ocorrer por meio de redirecionamento de verbas à prefeituras municipais- que devem investir, também, em cursos preparatórios- a fim de acabar essa segregação. Assim, fazendo com que o que a ONU presa, aconteça.