O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 25/04/2022
No mito da caverna, o filósofo Platão descreve como prisioneiros de uma caverna cresceram sem ter uma visão real do mundo, limitando-se a observar o universo através das sombras projetadas nas paredes do ambiente. Assim como na alegoria, na realidade atual muitas pessoas acabam tendo uma compreensão distorcida dos acontecimentos sem receber informações adequadas em função da falta de acesso à internet. Assim, faz-se mister reverter esse quadro, pois evidencia o distanciamento social e a concentração de renda no país.
Antes de tudo, é preciso observar a segregação relacionada a falta de acesso à internet. Nesse horizonte Hannah Arendt explica que espaços públicos são importantes para a socialização e a formação do indivíduo, devendo ser totalmente acessíveis. Sob esse viés, percebe-se que a privação do acesso ao espaço virtual retira uma possibilidade de interação coletiva, promovendo a segregação, uma vez que, nesse cenário, determinados indíviduos são privados do contato com redes sociais, notícias, cursos online, entre outras ferramentas, enquanto os demais podem usufruir desses mecanismos.
Outrossim, é válido analisar questões financeiras. Sob essa perspectiva, dados da Organização das Nações Unidas apontam que o Brasil é o 2° país com maior concentração de renda no mundo, essa desigualdade leva, entre outras consequências, a uma concentração de boa parte da renda do país nas mãos de um pequeno grupo social. Consequentemente, a maior parte da sociedade, que se encontra com salários e poder aquisitivo menor, acaba não tendo condições para pagar por serviços de internet, sendo privados desse recurso.
Portanto, o Estado deve tomar medidas para modificar a problemática em questão. Para tal, cabe ao governo, em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicação (ANATEL) oferecer internet gratuita aos cidadãos. Tal recurso deve ser disponibilizado através de pontos de Wi-fi de alto alcance, distribuídos em locais específicos das cidades, em quantidade suficiente para suprir a necessidade da população. Dessa forma, os habitantes terão acesso à internet e aos benefícios da interação no espaço virtual no Brasil, limitando a realidade descrita por Platão ao universo mitológico