O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 09/04/2022
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhões de indivíduos sem acesso à internet é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a omissão social.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a falta de acessibilidade a internet de muitas famílias brasileiras. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das “Instituições Zumbis”, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, atitudes capazes de difundir o acesso à internet não são tomadas, o que deixa vários cidadãos sem acesso a essa tecnologia. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Outrossim, é igualmente preciso apontar o desleixo da sociedade que usufrui da internet em tornar visível a situação dos que não usufruem, como outro fator que contribui para a manutenção do imbróglio. Posto isso, a filósofa alemã Hannah Arendt, em seu conceito da “Banalidade do Mal”, reflete sobre o processo de massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados que ignoram problemas que atingem grupos minoritários. Diante de tal exposto, percebe-se que falta empenho do tecido civil para reverter esse quadro.
Portanto, cabe ao Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, promover políticas públicas que democratizarão o uso a internet, por meio das prefeituras, as quais possuem um contato mais direto com os indivíduos, a fim de garantir a todos os brasileiros o acesso aos espaços virtuais. Paralelamente, o corpo civil deve cobrar os governantes para que essas medidas sejam tomadas. Espera-se, assim, que os sofrimentos retratados por Munch delimitem-se à arte.