O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 15/07/2020
Ao fazer uma análise da sociedade, percebe-se que grande parte de novas tecnologias surgem com preços elevados, sendo desfrutada primeiramente da parcela mais rica do país, para somente depois a parcela mais humilde ter acesso. A internet seguiu esse padrão ao longo dos anos e hoje persiste um problema que se destaca: em um mundo cada vez mais conectado, em que direitos constitucionais como a saúde e educação, principalmente em períodos de urgências, começam a ser fornecidos somente através do meio virtual, como democratizar o acesso para todos?
Em primeiro plano, notório foi o ano de 2020, a população brasileira aprendeu a viver no isolamento social, tudo foi adaptado para continuar funcionando com o mínimo de contato humano possível. Uma das áreas mais afetadas foi a educação, a maioria das escolas e universidades adotaram o sistema EAD para que o ano letivo não fosse completamente perdido. Entretanto, grande parte dos brasileiros não possuem acesso à internet e uma boa parcela de alunos foi excluída, mesmo aqueles que conseguiram assistir as aulas, foram prejudicados de alguma maneira, seja pela baixa qualidade de velocidade, seja pelo desconhecimento, de alunos e professores, sobre o uso das ferramentas tecnológicas a disposição.
Além disso, o acesso à saúde, previsto no artigo 6° da Constituição Federal como obrigação do Estado para com todos os cidadãos, também teve como principal válvula de escape a internet. Quanto menos aglomeração tivesse, menor seria o nível de contágio, incluindo nos próprios hospitais, inúmeras foram as consultas marcadas por vídeo conferência, protegendo tanto o paciente como o profissional da saúde. Porém, devido a não democratização da internet de qualidade e das informações, muitos não tiveram essa possibilidade e, infelizmente, arriscaram-se nos postos de saúde, sem saber se estavam com uma simples gripe ou com o corona vírus.
Portanto, medidas são necessárias para resolver-se o impasse. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Informação e Comunicação deveria focar os seus recursos na ampliação de sinal e velocidade da internet brasileira por todo território nacional, de forma que o acesso de qualidade fosse possível em qualquer lugar do país. O Governo Federal e o Poder Legislativo, de forma conjunta, poderiam trabalhar em uma reforma tributária, diminuindo os impostos cobrados para importação de tecnologias e, por conseguinte, barateando o produto final para a população. O Ministério da Economia promover palestras e oferecimento de cursos com intenção de preparar melhor alunos e professores para a utilização das ferramentas virtuais em seu potencial máximo. Em consequência, viveremos o que Zygmunt Bauman disse um dia: “Não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas.”