O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 15/07/2020

A declaração dos direitos do cidadão estabelece que o Estado deve assegurar o acesso à educação, à saúde, à segurança, entre outros, para os indivíduos presentes em sociedade, assim fundamentando uma igualdade social. Paradoxalmente, o cenário brasileiro apresenta irregularidades no funcionamento destes direitos, assim a desigualdade e o preconceito se intensificam e demonstram a ineficaz administração governamental. Nessa ótica, o acesso à internet no país é desigual e fundamenta o processo de elitização no campos social.

Em primeira instância, a difusão das redes digitais foi global, porém, no território brasileiro há uma grande desproporção do acesso deste, como o evidenciado no noticiário do jornal nacional em que alunos da região norte e nordeste alegam ausência de aulas da rede pública de ensino no período de pandemia do coronavírus por falta de acesso as redes. Desse modo, há um processo de exclusão que afeta as redes de ensino e a produtividade econômica do país, pois o acesso evidencia uma maior capacitação de aprendizagem a diversos setores para quem possui essa ferramenta.

Em segunda análise, segundo o ideal capitalista “American Way of Life”, em que o poder de compra é o que determina o indivíduo no meio social, a ética é colocada em segundo plano perante o individualismo.  Nessa conjuntura, a elitização da classe social é evidenciada pelo gozo de privilégios, em que ferramentas de estudo, de lazer e de cultura são acessíveis para estes. Assim, o acesso à internet desigual no país fundamenta o privilégio da classe alta detentora de maior aquisição capital e a falta de estrutura política para realizar a equidade social.

Sob este ponto de vista, é mister a necessidade de medidas políticas para sanar a exclusão social presente no país. Desse modo, através do Ministério da Cidadania e da Educação, a introdução, respectivamente, de medidas como a isenção de impostos para empresas de redes móveis que adotassem um acesso gratuito para famílias carentes e um maior investimento em plataformas digitais de ensino das redes públicas para garantir o acesso à internet e diminuir o avanço da desigualdade social. Assim, segundo o educador Rubem Alves, é necessário a estruturação de um modelo de educação asa para que a sociedade desfrute de uma alta produtividade econômica e de uma construção ética para atingir o progresso.