O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 30/04/2020
Em meio a uma pandemia toda sociedade é afetada de alguma maneira, entre eles os estudantes. Bem como, as crianças e adolescentes que tem direito ao acesso à educação, todavia os projetos para manter o aprendizado durante a quarentena, consistem em modelo EaD (Educação a Distância). Porém essa forma de ensino pode aprofundar o abismo social brasileiro, ou seja, desprivilegiar uma grande parcela da população que não possui acesso à internet. Tudo isso se dá pela falta de investimentos na educação, os quais foram reduzidos durante anos, e os impactos serão facilmente visualizados agora. Por isso, torna-se necessário o debate acerca do acesso à internet em questão no Brasil.
Em princípio, é possível relacionar a situação atual brasileira com o filme O Poço, o longa-metragem é uma distopia que retrata a desigualdade social em uma prisão vertical. Ademais, os prisioneiros tem uma alimentação melhor nos andares acima, e os cativos dos andares de baixo tem uma péssima distribuição de alimentos. Da mesma forma que a alimentação é essencial, a educação também deveria ser vista como tal, pois é assegurada por uma Constituição. Todavia, o ensino no Brasil está excluindo uma parte da população que não possui acesso à internet, ou seja, assegurando educação de maneira desigual, portanto infligindo um direito que deveria ser de todos.
Paralelamente, isso se dá devido à redução de investimentos na educação que acontece a anos no Brasil. De acordo com pesquisa feita pelo site UOL em 2019, o Brasil em quatro anos diminuiu em 56% as aplicações financeiras no ensino. Esses cortes afetam diretamente o desenvolvimento educacional, que desfavorecem crianças e adolescentes. Isso pode ser visualizado em meio a pandemia, tal qual esperam que os jovens estudem através de plataformas online, mas a distribuição de recursos não é igual, ou seja, esse modelo geraria diferenças nas condições de acesso e permanência de seus alunos na escola. Eventualmente podendo resultar em estudantes com a mesma idade escolar em anos letivos diferentes.
Por razão dos fatos mencionados, primeiramente a realização de vestibulares como o Enem deve ter sua data adiada, pois muitos estudantes não irão ter a preparação que deveriam. Além disso, o Ministério da Educação, Secretária Estadual de Educação e o Conselho Nacional de Educação devem investir no acesso a internet para todos, já que é um grande veículo de ensino em meio a pandemia. Todavia, é mais cabível no momento pensar em programas mais simples para manter o ensino para todos, sem exigir grande autonomia por parte de crianças e adolescentes. Isso pode ser realizado em parceria com canais de televisão aberto ou rádios, passando atividades, e aulas lúdicas em formatos distintos para cada série, para que o direito seja cumprido para todos.