O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 29/04/2020
“O de cima sobe e o de baixo desce”, tal frase pertence a música popular brasileira “Xibam Bambam”, do grupo As Meninas, e reflete acerca das diferenças existentes no Brasil, a qual é intensificada pela elitização do acesso à internet no país e, por isso, gera uma desigualdade de uso entre as classes sociais opostas. Destarte, reverter esse quadro, a partir do entendimento dos motivos e dos desdobramentos, é essencial para uma nação que se diz democrática.
É sabido, antes de tudo, que a segregação sócio-espacial é a principal agente inviabilizadora do pleno contato com a ‘web’. Segundo Confúcio, filósofo chinês, a cultura está acima das diferenças das condições sociais. No entanto, vê-se imperar o exato oposto no Brasil, uma vez que os aspectos financeiros delimitam, por exemplo, quem são as pessoas que vão ou não ter acesso à internet. Nesse sentido, quanto mais afastado dos estimados centros urbanos, maior a chance de se encontrar ambientes sucateados e negligenciados que impossibilitam a instalação de postes e fios, insumos básicos à chegada da virtualidade. Prova disso foi a pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), revelando que 33% dos cidadãos não têm convivência com o mundo cibernético. Dessa maneira, nota-se que a elitização do uso é permitida pela insuficiência administrativa governamental.
Convém destacar, também, que as desigualdades impedem o engajamento digital. De acordo com o geógrafo brasileiro, Milton Santons, a globalização é perversa, isto é, ajuda os mais abastados, mas prejudica os mais pobres. Indo ao encontro do teórico, pode-se afirmar que as classes mais baixas, ao não acessarem os meios virtuais, não são inseridas plenamente na digitalização e, consequentemente, são excluídas das novas tendências promissórias da educação, por exemplo. Tal realidade é comprovada pela quantidade de cursinhos preparatórios on-line, os quais pressupõem que os alunos possuam, no mínimo, contato com a internet . Dessa forma, pode-se afirmar que a igualdade e a equidade presentes da Constituição Federal de 1988 são uma utopia aos indivíduos economicamente vulneráveis.
Torna-se claro, portanto, que o acesso democrático aos meios virtuais não é uma realidade brasileira. Com o objetivo de torná-la presente, é fundamental que o Ministério das Cidades, por meio do repasse de verbas da União, promova reformas nas áreas insalubres, a fim de possibilitar a instalação de postes e cabos necessários ao estabelecimento da internet. Ademais, fará uma parceria público-privada com empresas que ofereçam esses serviços, para que o preço cobrado seja acessível a todos os moradores
Desse modo,o uso se tornará universal e a música “Xibam Bambam” não representará mais o Brasil.