O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 28/04/2020

Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Conquanto, o observado hodiernamente é incompatível com o ideal apontado pelo autor, uma vez que a desigualdade ao acesso à internet em questão no Brasil traz empecilhos, os quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse seguimento, diante de uma realidade instável e desigual que mescla conflitos nas esferas política e sociais, analisar seriamente as raízes dessa problemática é medida que se faz imediata.

De modo precípuo, é fundamental pontuar que a desuniformidade no alcance à internet no país, origina-se a partir da baixa atuação dos setores governamentais, no que se refere à criação de mecanismos que nivelem tal disparidade. Conforme o pensador Thomas Hobbes, o estado é o responsável pela garantia do bem-estar populacional, todavia, isso não é o que se verifica no Brasil. Devido à precária atuação das autoridades em promover meios de igualdade ao acesso à tecnologias e a meios de compartilhamento de informação, surgem dificuldades na integralidade do uso dessas modernizações e consequentemente, da utilização das aulas de ensino a distância atualmente implementadas. Desse modo, faz-se mister a reestruturação dessa postura estatal de forma urgente.

Além disso, é imperativo ressaltar a má distribuição de rendas como fator fomentador do problema. Devido à pandemia do Covid-19, em 2020 foram inseridas aulas EaD nas instituições de ensino, fato esse que foge da realidade do Brasil, já que, segundo a publicação do ‘‘Mundo da Educação’’, 42% dos lares não têm computador, e uma parte das que possuem o aparelho, não dispõem de uma internet que venha a suportar as transmissões. Isso mostra um postergamento do Ministério da Educação, o qual aprovou as aulas não presenciais, em relação à uma ampla parte da população. Tudo isso retarda a resolução desse entrave, pois a anuição do MEC contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessa forma, com o intuito de abrandar essa desigualdade societária, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital, que por intermédio do Comitê Gestor da Internet no Brasil, será revertido em acesso público à internet, e ao mesmo tempo direcione uma outra parte desse patrimônio para a aquisição de computadores para os que comprovem não possuir o dispositivo. Fazendo um controle rigoroso das doações para prevenir tentativas de fraude, e fornecendo os aparelhos de forma rápida para que não sejam perdidos abundantes conteúdos. Sendo assim, irá se atenuar, em médio e longo prazo, o impacto pernicioso dessa desigualdade, e a coletividade alcançará a Utopia de More.