O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 27/04/2020
Com o incentivo das aulas à distância, muitas famílias não têm computadores e acesso à internet de qualidade para exercerem seu direito à educação e à cidadania, além de muitos centros educacionais não possuirem a devida estrutura para tal modo de ensino. Desse modo, o Estado não cumpre com sua obrigação de oferecer educação a todos, e acaba por ignorar as classes mais periféricas da sociedade brasileira, vítimas da desigualdade social.
Famílias de baixa renda muitas vezes sofrem as chamadas exclusões instrumental, infraestrutural e financeira, na qual a primeira se refere à falta de tecnológicos, como celulares e computadores, a segunda, à falta de acesso à internet e, a terceira, à falta de recursos financeiros para arcar com os custos da tecnologia. O Estado deve compreender as desigualdades no Brasil e oferecer soluções que abrangem todas as classes sociais, para que todos tenham os mesmos direitos plenamente. Além disso, muitas escolas, em especial as públicas, não têm infraestrutura e equipamentos para tal modalidade de ensino, além de não possuírem professores com formação adequada para a ocasião.
Outrossim, de acordo com o filósofo francês Pierre Lévy, vivemos em uma sociedade hiperconectada, onde grande parte da informação se encontra na internet. Portanto, a exclusão digital impossibilita parte da população a exercer sua cidadania, seu direito de receber informações e ter acesso à serviços que muitas vezes só podem ser feitos pelo meio digital, tranduzindo-se em exclusão social. A Organização das Nações Unidas (ONU) já afirmou que o acesso à internet é um direito humano do século XXI.
Portanto, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação precisa investir na ampliação das redes de internet no Brasil, principalmente para as regiões mais periféricas, a fim de que todos tenham acesso à internet de qualidade e possam exercer seus direitos plenamente. Ademais, é necessário também o lançamento de planos de subsídios a computadores e a redes de internet de modo que a população carente tenha acesso a baixo custo. Quem sabe, assim, o fim da exclusão digital deixe de ser uma utopia para o Brasil.