O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 28/04/2020

“O de cima sobe e o de baixo desce”, tal frase pertence a música popular brasileira ‘‘Xibam Bambam’’, do grupo As Meninas, e reflete acerca das diferenças existentes no Brasil, a qual é intensificada pela elitização do acesso à internet no país, gerando uma desigualdade de uso entre as classes sociais opostas. Destarte,  entender os motivos e os desdobramentos dessa oligarquia digital e reverter esse quadro é fundamental para uma nação que se diz democrática.

É sabido, antes de tudo, que a segregação sócio-espacial é a principal agente inviabilizadora do pleno contato com a ‘‘web’’. Segundo Confúcio, filósofo chinês, a cultura está acima das diferenças de condição social. No entanto, vê-se imperar o exato oposto no Brasil, uma vez que os aspectos financeiros delimitam, por exemplo, quem são as pessoas que vão ou não ter acesso à internet. Nesse sentido, quanto mais afastado dos centros urbanos e ricos, maior a chance de se encontrar ambientes sucateados e negligenciados que impossibilitem a instalação de postes e fios, insumos básicos à chegada da virtualidade. Prova disso foi a pequisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelando que 33% dos cidadãos não têm convivência com o mundo cibernético. Dessa maneira, nota-se que a elitização do uso é permitida pela insuficiência administrativa governamental.

Convém destacar, também, que as desigualdades impedem o engajamento digital. De acordo com o geógrafo brasileiro, Milton Santos, a globalização é perversa, isto é, ajuda os mais abastados e prejudica os mais pobres. Indo ao encontro do teórico, pode-se afirmar que as classes baixas ao não acessarem os meios virtuais não são inseridos plenamente na digitalização e, consequentemente, são excluídas das novas tendências promissórias, como, por exemplo, o ensino à distância, o qual pressupõe que os alunos tenham, no mínimo, contato com a internet. Dessa forma, pode-se afirmar que a igualdade e equidade presentes na Constituição Federal de 1988 são uma utopia aos economicamente vulneráveis.

Torna-se claro, portanto, que o acesso democrático à internet não é uma realidade brasileira. Com o objetivo de torná-la presente, é fundamental que o Ministério das Cidades, por meio do repasse de verbas da União, promova reformas nas áreas insalubres, a fim de possibilitar a instalação de postes e cabos necessários ao estabelecimento do mundo cibernético. Ademais, fará uma parceria público-privada com empresas que ofereçam esses serviços, para que o preço cobrado seja acessível a todos os moradores carentes, de forma que os citadinos obtenham um contato duradouro com os meios virtuais. Dessa forma, o uso se tornará universal e a música ‘‘Xibam Bambam’’ não representará o verdadeiro Brasil.