O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 16/02/2021
Em março de 2020, a Polícia Militar de São Paulo entrou no baile funk da DZ7, em Paraisópolis e causou um tumulto que provocou a morte de nove jovens. Em vez de punir os policiais que participaram do crime, a Corregedoria da PM os absolveram sob o pretexto de legítima defesa. Isso, caracteriza os abusos de poder por parte das autoridades no país. A razão para a problema está nos preconceitos enraizados na sociedade, principalmente o racismo estrutural. Além disso, há a manutenção de governanes que ratificam essa forma de retrocesso, no poder, impedindo a cultuação do respeito.
Primeiramente, de acordo com o intelectual, professor doutor da Universidade de São Paulo, Silvio Almeida, o racismo estrutural é um processo histórico e político que as condições de subalternidade ou de privilégio de sujeitos racializados é estruturalmente reproduzida. Ou seja, os casos de racismo e até outras formas de preconceito, como a homofobia, praticados pelas autoridades, não devem ser analisados isoladamente, pois não existem como fenômenos, mas sim como uma forma de pensar incutida na sociedade devido às experiências anteriores, como a escravidão negra, que deixou estigmas na atualidade. É preciso a conscientização das pessoas acerca das lutas das minorias por um espaço na sociedade onde possam se orgulhar de suas identidades sem serem estigmatizadas por aqueles que reproduzem frases de superioridade, como: “você sabe com quem está falando?” de forma a diminuir a importância de outro ser humano. Com isso, percebe-se a necessidade de transformar a mentalidade da população.
Em segundo lugar, o fato de haver representantes políticos que propagam discursos de ódio, estimula a manutenção dos abusos praticados por pessoas e instituições que deveriam proteger os cidadãos, como a polícia. Um exemplo claro disso, é o posicionamento racista e homofóbico do atual presidente da república, Jair Bolsonaro. O mesmo costuma zombar publicamente das características físicas da etnia negra africana e afirma que não gostaria de ter um filho homossexal. Em resumo, governantes que se aproveitam da visibilidade e responsabilidade do cargo, influenciam discriminações.
Dado o exposto, portanto, para acabar com os abusos de poder por parte das autoridades, são necessárias mudanças profundas no âmbito educacional. Por isso, o Ministério da Educação em parceria com os estudantes de Sistemas de Informação da Universidade de São Paulo, devem criar um aplicativo informativo, como material didático do ensino médio da rede pública denominado “Brasileiros que Lutam”, contendo o contexto histórico de diversos grupos sociais minoritários e os desafios de se reafirmarem na sociedade. Tal como, as consequências dos discursos preconceituosos para o futuro de um país que busca cultuar o respeito, de forma a oferecer uma educação transformadora.