O abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil
Enviada em 13/02/2021
O filme “O Experimento de Aprisionamento de Stanford”, narra um ensaio real ocorrido no porão do campus de Stanford, em que 24 estudantes foram pagos para ter funções de prisioneiros e policiais. Após 6 dias, o experimento foi interrompido em razão do comportamento abusivo intenso dos que interpretavam guardas. Não obstante, é fundamental destacar que essa realidade condiz com a questão do Brasil contemporâneo, uma vez que se amplifica casos de abuso de poder e autoridade no corpo social. Assim, tal problemática ancora-se em aspectos como a insuficiência estatal e a cultura de impunidade.
A princípio, ao averiguar o quadro aludido, depreende-se que a incúria do Governo corrobora sua ampliação. Nesse viés, conforme Thomas Jefferson, principal autor da declaração de independência dos Estados Unidos, mais importante do que a criação de uma lei é a sua aplicabilidade. Contudo, é relevante notar que o argumento do republicano é tratado de forma precária no território, posto que o Estado não promove ações efetivas quanto ao descumprimento de leis que penalizem severamente práticas opressivas. Dessa forma, a manutenção dessa postura de inércia aproxima o Brasil atual da Ditadura de 1964, marcada pela extensiva violação dos direitos civis e sociais, sendo inaceitável esse cenário deletério.
Ademais, é relevante destacar a herança cultural de impunidade como propulsora do imbróglio evidenciado. Nessa perspectiva, o sociólogo francês Pierre Bourdieu, na Teoria do Habitus, afirma que a sociedade incorpora determinada estrutura, de modo a naturalizá-la e reproduzi-la. Paralelamente, ao equiparar com parte dos tupiniquins, nota-se a realização do pressuposto de Bourdieu, em razão da incorporação e vinculação de hábitos dominantes e o desrespeito às leis em prol do benefício próprio. Por conseguinte, tal corrupção cotidiana fomenta a criação de indivíduos que não detêm empatia e permeiam o discurso de ódio.
Portanto, intervenções capazes de mitigar o abuso de poder e de autoridade em questão no Brasil são improrrogáveis. À vista disso, as ONGs de Defesa dos Direitos devem realizar campanhas de mobilização civil nas redes sociais, através de anúncios gráficos e lúdicos que cobrem clareza no intermédio dos poderes federais para com ações opressoras, a fim de alcançar um empenho democrático no país. Outrossim, o Ministério da Cidadania, aliado as escolas, necessitam efetivar a criação de campanhas socioeducativas de conscientização, alerta e combate às práticas ilegais de autoritarismo, por meio de debates com profissionais capacitados, com efeito de distanciar o Brasil da experiência ocorrida em “O Experimento de Aprisionamento de Stanford”.