O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 30/10/2021
Diante de uma trajetória de lutas, o ativista Martin Luther King afirmou temer mais a indiferença dos benevolentes do que as possíveis ações dos atrozes, denotando a importância do engajamento dos indivíduos em questões relevantes à nação, como o uso de álcool por adolescentes. Indubitavelmente, é relevante analisar tal temática, uma vez que o o problema abordado é uma realidade brasileira. Nesse sentido, destacam-se a banalização desse consumo e, sobretudo, a fragilidade da fiscalização em comércios como fatores que colaboram para a persistência do abuso de substâncias etílicas por indivíduos dessa faixa etária.
Inicialmente , é oportuno salientar o fato de o filósofo francês Émile Durkheim relacionar o comportamento do indivíduo à consciência coletiva instituída na sociedade na qual está inserido. Sob essa óptica, a trivialidade do consumo de bebidas alcóolicas é incitada pelas redes publicitárias que, muitas vezes, abordam o ato de ingerir essas substâncias associada à ideia de felicidade e curtição incomensurável. Diante disso, a formação de um imaginário coletivo o qual idealiza tal consumo incita os mais jovens à experimentação e ao abuso do álcool, uma vez que os adolescentes possuem a capacidade crítica acerca da realidade ainda em desenvolvimento e almejam alcançar a situação de felicidade idealizada projetada pela mídia.
Ademais, no livro “A lei e a ordem”, o filósofo Ralf Dahrendorf alerta que a perda das normas regulamentadoras suscita um estado de anomia, no qual as regras morais são enfraquecidas e as condutas desfavoráveis ao bem comum são multiplicadas. Em consonância a isso, é sabido que, ainda que sejam alertados a respeito da ilegalidade da venda de bebidas alcoólicas para menores de idade, comerciantes permanecem realizando tal ação de modo que priorizam o lucro em detrimento da conduta moral. Esse cenário se deve à sensação de impunidade alimentada pela escassez da fiscalização pelo poder público em estabelecimentos locais propiciando, assim, vendas sem limitações ao público jovem por mercadores indiferentes às legislações do país e às condutas moralmente aceitas.
Compreende-se, portanto, a necessidade de coibir o abuso do álcool por jovens adolescentes no território nacional. Para tanto, cabe ao Ministério da Família a criação e veiculação, por intermédio das plataformas de amplo acesso, por exemplo, “Instagram” e “Twitter”, de cartilhas socioeducativas, as quais abordem os malefícios do álcool e trabalhem na desconstrução de forma efetiva do imaginário idealizado em função desse nocivo consumo. Tal ação deve ser viabilizada com o fito de engajar os jovens sobre a temática e, por conseguinte, reduzir o uso de tais substâncias etílicas por esse público. Por fim, o estado de apatia tão temido pelo líder do movimento negro será atenuado.