O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 02/10/2021

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, em 2018, que mais de 3,3 milhões de indivíduos morrem anualmente no mundo em decorrência do consumo de álcool - o que representa mais de 5% do total de óbitos. Ademais, consoante, ainda, a OMS, o brasileiro consome mais litros de álcool em um ano que a média internacional - o que revela que o abuso de álcool na sociedade brasileira tem uma maior intensidade. Por conseguinte, o uso abusivo de álcool leva a problemas individuais, como prejuízos à saúde física, e coletivos, tais quais o aumento da violência e da demanda sobre os serviços públicos de saúde - bem como é fomentado por uma sociedade na qual o bom resultado é priorizado.

Primordialmente, deve-se ressaltar que o corpo social hodierno corrobora sobremodo para uma maior dependência de álcool. De acordo com o livro “Sociedade do Cansaço”, escrito por Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, na atual conjuntura, com o fito de afirmar o “eu” frente ao diferente, o desempenho e a alta performance individuais são valorizados e almejados veementemente, de modo que a pessoa exija de si o máximo resultado - influenciada por um positivismo que a faz crer que tudo pode ser alcançado. Contudo, quando o homem não obtém o que anela, é causada uma frustração que tende a depressão, e - mesmo que não haja desilusão - ele se vê demasiadamente atarefado e cansado, o que pode propiciar a síndrome de burnout, caracterizada pelo esgotamento físico e emocional. Em virtude disso, as drogas - entre elas o álcool - tornam-se ótimas rotas de escape de uma realidade permeada por problemas de natureza emocional.

Consequentemente, com a maior ingestão de álcool, diversas resultâncias negativas podem ser observadas. Em consonância com o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, essa substância entorpecente pode promover moléstias, tais quais doenças no fígado, câncer, problemas cardiovasculares e prejuízos cerebrais. Ademais, por ser um produto que ocasiona embriaguez, o álcool é uma causador frequente de acidentes de trânsito e de violência, porquanto pode gerar insanidade mental no indíviduo que o consome. Outrossim, por originar múltiplas mazelas e, em consequência disso, exigir um tratamento médico, essa droga, também, sobrecarrega o sistema público de saúde.

Diante de tal exposto, depreende-se que o consumo desse alucinógeno deve ser mitigado. Para tal, faz-se mister que o Ministério da Saúde, por intermédio de campanhas midiáticas - principalmente na televisão “aberta” - divulgue, para todos os brasileiros, informações acerca dos prejuízos que o baixo ou demasiado consumo de álcool pode causar, com o intento de desestimular a ingestão dessa droga e, em decorrência disso, reduzir o número de óbitos, internações hospitalares e acidentes de trânsito. Quiçá, destarte, a sociedade brasileira tornar-se-á um exemplo a ser seguido por outras nações.