O abuso de álcool na sociedade brasileira

Enviada em 21/09/2021

Com origens datadas na Antiguidade Clássica, a partir da fermentação de grãos, as bebidas compostas por etanol encontram-se amplamente presentes nos costumes globais de convívio interpessoal. Contudo, apesar da vasta difusão, o abuso no consumo de álcool é designadamente nocivo. Nesse sentido, tal condição, notória na sociedade brasileira, é maximizada pelo fator da influência habitual midiática que provoca, como consequência, efeitos prejudiciais aos cidadãos.

A princípio, é relevante pontuar os mecanismos regentes na lógica comercial de profusão comportamental. Sob esse âmbito, a “Indústria Cultural”, conceito formulado pelos filósofos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer, aponta a relação lucrativa das produções culturais no estabelecimento de padrões de consumo. Posto isso, a conformidade dessa teoria é constatada na observação de incontáveis músicas e excertos televisivos que exaltam, como medida central do divertimento e do lazer, a bebida alcoólica. Destarte, o processo de absorção acrítica dessas informações impulsiona a adesão indiscriminada à ingestão do álcool, uma vez que a ânsia pelo seguimento de tendências guia a dinâmica de pertencimento ao grupo idealizado nas peças das mídias.

Por conseguinte, como reflexo dessa realidade, destacam-se as possíveis repercussões dessa exposição desacertada. Por essa óptica, “Luz acesa”, documentário do diretor carioca Guilherme Coelho, ilustra a degradante situação de pacientes no processo de recuperação do alcoolismo. Nessa perspectiva, assim como no registro cinematográfico, o consumo alcoólico contínuo pode desencadear uma dependência gravosa, de modo a comprometer aspectos fisiológicos, a exemplo do funcionamento do fígado, e a afetar condições cognitivas, como a perca da atenção e a exaltação violenta. Logo, condutas de exagero, impulsionadas pela errônea percepção de inofensibilidade do álcool, comprometem o bem-estar social em larga escala.

Diante disso, a coibição do consumo alcoólico abusivo é primordial. Assim, o Estado deve elucidar a população brasileira vide campanhas educativas veiculadas em grandes meios de comunicação, como a televisão e as mídias sociais. Nesse projeto, serão destacadas abordagens lúdicas acerca do limite saudável de usufruição do álcool, com a retratação, ainda, de situações-problema diversas — com o destaque à cautela acerca das influências externas e com a retratação dos desdobramentos adversos do vício —, a fim de que, com o respaldo da informatividade, a sociedade possa, paulatinamente, superar a problemática do uso excessivo desses compostos.