O abuso de álcool na sociedade brasileira
Enviada em 07/04/2020
Em um episódio da série “Glee”, todos os personagens — desde os estudantes do ensino médio até seus professores — experienciam as consequências imediatas do excesso de uso do álcool, como ressaca, tontura, enjoo, perda de memória e cansaço. Certamente, isso se faz suficiente para que eles entendam a importância do autocontrole ao fazer uso dessa substância. Fora das telas, sabe-se que somente esses efeitos não são suficientes para diminuir o consumo dessa droga lícita por grande parte da população. A banalização dos problemas gerados pelas bebidas a longo prazo, e o endeusamento da mesma pela mídia, são os principais causadores de altos índices de abuso de álcool no Brasil.
Ainda que os efeitos supracitados no exemplo ocorram após a ingestão da substância, passadas algumas horas o indivíduo volta ao seu estado normal. Fato que leva a pessoa a crer que a deglutição indiscriminada da bebida não acarretará nenhum dano permanente. Contudo, segundo o Relatório Global sobre Álcool e Saúde de 2016, no Brasil, essa substância esteve associada a 69,5% e 42,6% dos casos de cirrose hepática, e a 8,7%, e 2,2% dos índices de câncer —respectivamente entre homens e mulheres. Doenças que, geralmente, só se manifestam após muitos anos de utilização. Além disso, lesões cerebrais, aumento de pressão arterial, doenças do coração, e baixo rendimento no trabalho também são problemas gerados apenas à longo prazo em virtude deste uso.
É evidente a constante apologia ao consumo de bebidas alcoólicas na mídia, ela se mostra presente em propagandas e filmes. Nos dias atuais, é realizado com o álcool o que era feito com o cigarro em meados de 1980, a “glamourização” do uso. E assim como no passado o fumo era símbolo de popularidade e libertação, os drinques assumiram essa posição no presente. Essa influência, abarca principalmente os mais jovens, que estão muito mais propícios a aceitar midiáticas. Por exemplo, na série espanhola “Elite”, nela, em quase todos os episódios são exibidas festas em que os adolescentes (menores de idade) ingerem álcool de forma exacerbada, sem que eles sofram consequências. Cenas assim, são vistas por milhões de jovens, que são incentivados a consumir precocemente bebidas alcoólicas. Iniciando, portanto, um ciclo que irá resultar nos efeitos supramencionados.
Em suma, é necessário que o Ministério da Educação em parceria com as escolas, inicie um programa de prevenção contra o abuso de álcool. Este programa deve evidenciar as principais consequências da bebida a fim de tornar essa prevenção mais eficaz. Além disso, o Ministério da Saúde deve investir, através de incentivos fiscais, para que os objetivos da iniciativa SAFER sejam cumpridos, priorizando o aumento à restrição de publicidade das indústrias dessas bebidas em meios digitais, para que possa ser diminuída a influência midiática sobre os jovens e adultos.