Novos modelos de educação

Enviada em 09/04/2020

O Brasil possui mais de onze milhões de analfabetos. Essa é a informação obtida na pesquisa domiciliar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2019. Tal resultado demonstra a deficiência da educação no país. Muito disso se deve à tímida utilização da tecnologia na educação, principalmente em escolas públicas. Sendo um problema que está diretamente relacionado à realidade do Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela responsabilidade social.

A princípio, é incontestável que a inoperância estatal esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que garantem a todos os brasileiros acesso continuado a tecnologia. Não são raros os municípios que ainda não são contemplados com acesso a internet de qualidade ou que possuem computadores em quantidade insuficiente nas escolas. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir os direitos da população fazendo com que Aldeias indígenas, Quilombos e cidades afastadas da capital sejam as mais afetadas por esse problema.

Outrossim, destaca-se a cultura de desinformação perpetuada por parte da sociedade, que, muitas vezes, devido ao senso comum, se utiliza dos meios tecnológicos para usos banais, como o uso de redes sociais, sem se aprofundar no conhecimento pedagógico. Isso está de acordo com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. De certo, isso pode ser exemplificado pelo último Indicador de Analfabetismo funcional - INAF, publicado em 2020, que revelou que quase um terço dos analfabetos funcionais são usuários frequentes das redes sociais.

Diante desse cenário, é mister que o Estado amplie as políticas públicas de incentivo à utilização da tecnologia na educação, por intermédio da criação de um órgão específico para tratar o tema, a fim de garantir acesso às atualizações tecnológicas e quantificar com mais precisão as necessidades das escolas. Além disso, as instituições educacionais devem orientar a população sobre os benefícios do uso da tecnologia para educação, por meio de campanhas de conscientização veiculadas nos principais meios de comunicação, para que, gradativamente, as melhorias na educação se reflitam nos resultados de analfabetismo do país.