Novembro Azul - Desafios para a conscientização social quanto à saúde masculina

Enviada em 10/05/2021

O “Novembro Azul”, mês mundial de combate do câncer de próstata, partiu da iniciativa australiana de voltar atenções para a saúde do homem por meio de campanhas informativas sobre a doença e exames pertinentes. Todavia, sabe-se que a precariedade da conscientização social quanto o bem-estar masculino é algo mais amplo pois não só implica em tumores, mas também em diabetes, hipertensão, colesterol alto e outras condições médicas que são, por vezes, negligenciadas. Assim, é necessário analisar de que modo o formato da figura viril promovida pela mídia e os maus hábitos da sociedade são empecilhos para a melhoria social.

Em primeira análise, é importante perceber a esfera midiática como promotora de visões massificadas e idealizadas. Segundo o sociológo francês Émile Durkheim, a mídia é tida como agente de socialização secundária na medida em que internaliza concepções de características físicas e psicológicas nos indivíduos. Nessa pespectiva, ao promoverem figuras masculinas semelhantes a dos heróis clássicos e medievais - fortes, invencíveis e imparáveis- cria uma figura viril que transparece não precisar de ajuda diante das dificuldades, sobretudo as médicas, que surgem na vida das pessoas. Por não se sentirem encorajados a adotarem um modo de vida mais preocupado com a saúde, os homens afastam a necessidade de cuidar de si. Logo, tal situação é tida empecilho para superação do quadro.

Outrossim, tem-se que os hábitos sociais transmitidos hereditariamente tratam desigualmente da saúde de homens e mulheres. A exemplo, depois da primeira menstruação da jovem, é comum o incentivo da sociedade civil as visitas periódicas da garota ao ginecologista, de modo a cultivar o costume do autocuidado, que também é visto na preocupação estética e alimentícia- fruto também da influencia dos veiculos de comunicação de massa. O jovem adulto, por outro lado, não recebe estímulo para ir ao médico frequentemente. Nesse sentido, as práticas socioculturais encrustadas na história das sociedades são obstáculos para a conscientização social pertinente ao caso.

Portanto, é fato que os homens ainda não têm, plenamente, o olhar atento para as preocupações com a saúde. Dessa forma, cabe ao Governo Federal e mídia criarem campanhas constantes, e não apenas em um mês específico, voltadas para o bem-estar da figura masculina, além de tratarem de outras enfermidades relacionadas. Isso pode ser feito aumentando o número das publicidades e propagandas transmitidas nos veículos de comunicação a fim de estimular os indivíduos a fazerem mais exames e a buscarem tratamento correto. Ademais, cabe à família, em parceria com a escola, dar uma educação consciente e responsável através de debates para conscientizar os pequenos sobre a importância da atenção à saúde masculina. Assim, espera-se ampliar o propósito do “Novembro Azul”.