Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 10/11/2020

O totalitarismo é, em sua definição, o modo autoritário e inflexível de agir, tendo um líder absoluto. Isso pôde ser visto no nazifascismo, nas ditaduras e governos autocráticos. Contudo, no período da tecnologia e informação, a soberania é efetivada através de outros meios, como as redes sociais e a mídia em geral, as quais exercem significante influência na opinião e na resignação da sociedade, causada pelo excesso de tempo nas redes e pelo desinteresse pela realidade e criticidade, o que deve ser amenizado.

Nesse contexto, no documentário “O dilema das redes”, os perigos implícitos dessas tecnologias são evidenciados, de forma a alertar o interlocutor das consequências geradas na sociedade, com o tempo. A exemplo disso, estão as “bolhas sociais”, isto é, a seleção do usuário pelos conteúdos de seu interesse e a recomendação da rede para tópicos semelhantes. Consequentemente, o indivíduo pode desenvolver aversão pela realidade, em que as opiniões são divergentes, causando intolerância, discussões e extremismo. Ademais, os conteúdos recomendados podem conter materiais falsos ou tendenciosos, contendo discursos convincentes, que geram o totalitarismo ideológico, ou seja, a soberania e o controle da sociedade através da razão, das ideologias e da doutrinação.

Outrossim, segundo o conceito de “indústria cultural” dos sociólogos da Escola de Frankfurt, a racionalidade está em crise e tende a decair. À medida que a tecnologia evolui, o entretenimento avança e se instala mais na sociedade, com o intuito de distrair o telespectador da realidade e contê-lo numa existência utópica e idealizada. Entretanto, se torna outro meio propício para a persuasão e para a inserção do totalitarismo, tendo em vista que contém um nível atrativo maior que os livros e a procura pelo conhecimento e, por isso, a criticidade não é buscada. Dessa forma, as massas são facilmente encaminhadas para o direcionamento que se deseja obter, tanto pelo consumo dos mesmos assuntos, quanto pela dificuldade de interpretar e relacionar informações.

Portanto, urge mudança para essa situação. Para isso, o Ministério da Educação deve promover comerciais televisivos e palestras escolares, abrangendo pais e alunos, a fim de incentivar a leitura e o estudo e alertar para a criticidade necessária para o reconhecimento de discursos persuasivos. Assim, a mídia poderá realizar suas funções informativas, jornalísticas e de entretenimento, auxiliando na riqueza de informações da população, que dará juízos de valor pertinentes e diálogos racionais, se afastando da manipulação pelo excesso de tecnologias e adentrando na autonomia de pensamento, fruto do conhecimento.