Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 06/11/2020

Em meio à Quarta Revolução Industrial, é percebido o impacto das tecnologias de informação na vida dos cidadãos, evidenciando uma gritante participação dessas no cotidiano popular. No entanto, a era digital não carrega apenas benefícios consigo, como visto em casos de notório controle do usuário na rede, formulando, assim, o conceito de “Totalitarismo tecnológico”, no qual o indivíduo é manipulado pelos grandes sistemas de comunicação virtual, o que corrobora para uma automatização da população e uma perturbação na estrutura social no campo cibernético, fato devido à manipulação do conhecimento difundido e à omissão informacional que atinge diretamente o público.

Em primeiro plano, a manipulação da opinião de massas, por meio do controle da informação é um agravante do problema. Nesse sentido, segundo o filósofo francês Michel Foucault: “A vontade de saber é reconduzida pela maneira de como o conhecimento está disposto numa sociedade”. Dessa maneira, a partir do momento em que os fatos difundidos em um corpo social são colocados de maneira intencionalmente orientada por grandes entidades digitais, como o Estado, o conhecimento absorvido pela população é corrompido e a veracidade ameaçada. Logo, é percebido que, quando grande parte da divulgação informacional é conduzida de acordo com o interesse dos grandes sistemas comunicacionais, a instrução dos cidadãos é afetada e o conceito popular é dominado.

Ademais, é significante observar como a deficitária exposição da realidade em uma sociedade é danosa à sua estrutura. Nesse contexto, de acordo com o escritor inglês Christopher Morley: " Não se converte um homem quando o reduzimos ao silêncio". Sob tal óptica, quando grande parte dos cidadãos é fadada à desinformação, no momento em que há uma omissão dos fatos, o conhecimento popular se torna fragmentado. Desse modo, graças à ausência de transparência por parte dos veículos de comunicação, os quais ocultam informações afim de criar um pensamento dirigido na população, a coletividade social apresenta uma ideia automatizada, feita pela “opacidade” da realidade apresentada.

Por todos esses aspectos, a questão do controle do indivíduo na rede, o que caracteriza o “Totalitarismo tecnológico”, é tida como um desafio e carece de soluções. Sendo assim, as empresas de comunicação digital, como a Anatel, juntamente aos usuários, devem, por meio de campanhas que visem garantir a veracidade da informação que circula, assegurar a exposição da realidade e de fatos genuínos para que o ambiente tecnológico seja seguro a todos e, por conseguinte, a preservação da autenticidade no âmbito virtual se torne um dos pilares da sociedade. Em suma, a ordem e o progresso só serão alcançados no momento em que a automatização e a manipulação da população não participarem do cotidiano popular, associando a Quarta Revolução Industrial ao desenvolvimento social.