Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 19/10/2020
O documentário norte-americano “O dilema das redes” - exibido pela plataforma de streaming Netflix - retrata os malefícios do avanço técnico e científico inerente ao século XXI, como a dependência cibernética. De maneira análoga, é nítido que o protagonismo das redes sociais na busca pela informação descentralizada promoveu a manipulação de comportamentos e ideias nas esferas sociais hodiernas. Dessarte, faz-se premente analisar o contexto de novas formas de totalitarismo na era tecnológica, bem como expor seus principais fatores de perpetuação: a negligência governamental e a lógica capitalista de produção.
A princípio, é imperativo elucidar que o despreparo social para o uso sensato das mídias digitais fomenta as manifestações totalitárias na era tecnológica. Embora o cenário hodierno seja marcado pelo desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação (TICs), tal fato não implicou a adequação social às metodologias comportamentais adequadas de utilização midiática. Segundo o filósofo inglês Bertrand Russell, o progresso é indubitável, entretanto, a mudança é questionável. Desse modo, observa-se que tal conjuntura se mantém pela insuficiência do Poder Público no que tange à formulação de políticas públicas efetivas para a educação da sociedade nesse âmbito
Sob outro prisma, é válido averiguar que o sistema econômico mundial, regido pelo capitalismo, agrava a problemática. Isso explica-se pela ascensão dos algoritmos no ciberespaço, isto é, ferramentas de software que atuam em prol de objetivos empresariais específicos, a saber, vendas de produtos e promoção de engajamento em mídias, ou seja, visitas em sites predeterminados. De acordo com os filósofos da Escola de Frankfurt, os meios de comunicação de massa alienam a sociedade em prol da acumulação lucrativa, atendendo aos interesses de instituições capitalistas minoritárias. Logo, constata-se que a autonomia intelectual é prejudicada em função de uma minoria beneficiária.
Em síntese, a observação crítica dos fatores mencionados revela a urgência de providências para combater o totalitarismo na era tecnológica. Portanto, compete ao Ministério da Educação e da Cultura (MEC), por meio de verbas públicas, implementar uma disciplina específica de letramento digital na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) das escolas. Essa ação deve ser concretizada mediante aulas, palestras e debates que promovam a instrução à utilização correta das novas tecnologias, além de projetos socioeducativos de conscientização dos riscos psíquicos ocasionados pelo mau uso da internet. Tal medida tem a finalidade de reeducar os cidadãos quanto ao manuseamento das redes sociais, a fim de preservar o senso crítico desses. Assim, será possível romper com a perspectiva fatídica relatada em “O dilema das redes”.