Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 14/02/2020
Em 1988, Ulysses Guimarães promulgou a Carta Magna e estabeleceu que a República deveria ser capaz de garantir o direito à vida privada a todos. Entretanto, décadas se passaram, e os indivíduos estão distantes de ver a promessa da constituição, o que prejudica toda a sociedade. Assim, há de se desconstruir a omissão do Estado na vida particular e a crises humanas causadas pela autocobrança de ser perfeito.
A princípio, há de se combater a omissão do Estado. A esse respeito, no século XVIII, o filósofo John Locke desenvolveu o conceito de Contrato Social, segundo o qual os indivíduos cedem sua confiança para o Estado, que, em contrapartida, deveria garantir a privacidade aos cidadãos. Ocorre que o com o avanço tecnológico o Estado consegue se infiltrar cada vez mais na vida particular do cidadão trazendo novas formas de totalitarismo na era cibernética, ultrajando o conceito de Locke, o que inviabiliza a solução para a omissão. Assim, não é razoável que o totalitarismo tecnológico seja negligenciado pela sociedade contemporânea.
De outra parte, urge que devemos resolver as crises humanas oferecidas pela autocobrança. A esse respeito, Fernando Pessoa - um dos principais poetas e pensadores do século passado - desenvolveu o conceito de Heteronímia, para mostrar que o indivíduo moderno é fragmentado e incapaz de alcançar a plenitude. Nesse viés, o problema denunciado por Pessoa se manifesta na forma de diversos transtornos de ansiedade causado pela monitoria por parte do Estado na vida pessoal do cidadão que rege em atingir níveis excelentes para assim ser bem julgado pelo Governo. Assim, não é razoável que contemporaneidade considere natural conviver com transtornos de ansiedade, motivados pela vigilância cibernética.
Portanto, conclui-se que essas novas formas de totalitarismo na era tecnológica precisam ser combatidas através de sistemas midiáticos que por sua vez devam fazer propagandas a respeito que visem mostrar para a sociedade formas de se protegerem dessa invasão de privacidade. Paralelo a isso, os cidadãos devem protestar de forma pacífica nas ruas para que o Estado seja mais transparente em relação as informações privilegiadas que diz respeito ao particular do cidadão, e, assim, garantir que seja extinto essa forma de totalitarismo.