Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 12/02/2020

A ditadura militar brasileira impôs um sistema de governo rígido e totalitário, no qual os cidadãos eram desprovidos de liberdade. Analogamente à era tecnológica atual, o mundo globalizado se encontra em situação semelhante àquela vivida pelos brasileiros no regime militar. Nesse panorama, é lamentável constatar que o meio tecnológico representa uma forma totalitária de sistema, não só devido á imposição de padrões, como também à construção de uma sociedade alienada e passiva.

Nesse sentido, o poder exagerado das mídias tecnológicas acaba por resultar na imposição desequilibrada de padrões. Nesse cenário, o escritor francês Guy Debord estudou a “sociedade do espetáculo”, na qual as relações sociais são medidas por imagens que impõem modelos e padrões. Por conseguinte, são geradas crise de auto estima e busca descontrolada pelos modelos impostos. Assim, o panorama criticado por Debord exemplifica o forte totalitarismo da era tecnológica. Com isso, a naturalidade das diferenças termina por ser furtada. Ou seja, não é razoável que um cenário tão rico em diferenças - sociais, culturais, físicas - viva uma ditadura tecnológica massacrante.

Além disso, a subordinação do ser humano ao contexto em questão acaba por formar cidadãos alienados. Nesse contexto, o sociólogo Karl Marx definiu alienação como a situação na qual o indivíduo participa de determinado processo sem, no entanto, entender suas causas e consequências. Assim sendo, a realidade denunciada por Marx representa um sério problema para o contexto atual, visto que notícias excessivas, veiculadas de forma imprudente, formam cidadãos alheios, que carecem de juízo crítico. Dessa forma, para uma vida social saudável, é indispensável o exercício da opinião própria de forma ativa e consciente.

Portanto, diante dos impactos do totalitarismo na era tenológica, é preciso modificar tal realidade. Para isso, a mídia - jornais e redes sociais- deve elaborar e veicular propagandas que valorizem as diferenças. Desse modo, diariamente, seriam mostradas diferentes etnias e classes sociais e , a fim de desconstruir estigmas com padrões e valorizar as diferenças. Por fim, as escolas precisam desenvolver debates filosóficos e sociológicos, por meio de encontros mensais com professores especializados. Diante disso, devem haver discussões acerca dos impactos do uso massante das tecnologias, a fim de formar o senso crítico e evitar a formação de pessoas alienadas. Destarte, cidadãos conscientes e críticos estarão livres do massacre tecnológico e a ditadura continuará apenas no passado histórico.