Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 11/02/2020

No livro “1984”, de George Orwell, é retratado um futuro distópico em que um Estado totalitário considera como “crime de pensamento” a liberdade de expressão e está sempre vigiando a população. Nesse sentido, o enredo da obra é centralizado em Winston, funcionário do Ministério da verdade que é encarregado por, contraditoriamente, editar os registros históricos e contemporâneos, com o propósito de moldar a opinião pública de acordo com as diretrizes do governo vigente. Fora da ficção, é certo que a realidade descrita pelo autor se relaciona com o mundo tecnológico atual, não somente pela invasiva vigilância governamental, mas também pelo uso das informações para manipulação das massas.

Antes de tudo, é importante citar a ação de um ex-contratado da Agência de Segurança Nacional americana, Edward Snowden, que foi responsável por revelar detalhes de um dos programas de vigilância que o governo usava para espionar os cidadãos americanos, por meio de servidores bastante populares, como o Google e o Facebook. Sendo assim, o fato de o Estado invadir a vida particular das pessoas ao, por exemplo, ter acesso às mensagens que elas trocavam assemelha-se muito ao sistema de vigilância onipresente usado pelo governo em “1984”, chamado de “Grande Irmão”, que monitorizava todas as ações da população. Dessa forma, tanto na realidade quanto na ficção, é claro que a privacidade das pessoas está sendo violada devido ao mau uso dos avanços tecnológicos.

Outrossim, mesmo que a internet tenha favorecido o processo de democratização do saber na sociedade, quando se observa a passividade de muitos usuários perante a rede, percebe-se que esses indivíduos estão cada vez mais expostos a uma gama limitada e homogênea de informações e, assim, tornam-se mais suscetíveis à influência da indústria cultural. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, isso ocorre, pois vive-se hoje um período de liberdade ilusória, já que, no século XXI, a globalização e a tecnologia não somente resultaram em novas formas de conhecimento, mas também facilitaram a manipulação e alienação da população. Logo, o objetivo da indústria cultural de padronizar o gosto das massas, a fim de facilitar o processo alienatório, torna-se gradativamente mais iminente.

Diante do exposto, é mister que medidas sejam tomadas para aliviar esses problemas. Portanto, para garantir a privacidade virtual das pessoas, é fundamental que a Organização das nações Unidas crie um órgão especializado na segurança digital responsável por investigar e punir governos que façam ações semelhantes às da Agência de Segurança Nacional americana. Além disso, para amenizar a passividade tecnológica atual, as escolas devem promover palestras ministradas por professores especializados que discutam a importância de uma postura consciente e ativa em relação aos conteúdos vistos na internet, visando a uma realidade cada vez mais distante da criada em “1984”.