Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.
Enviada em 11/02/2020
Segredos são mentiras; Compartilhar é cuidar; Privacidade é roubo. São essas as máximas filosóficas que regem a dinâmica de atuação da empresa tecnológica onde Mae Holland trabalha. Interpretada por Emma Watson, a protagonista se vê presa a este sistema totalitário onde todos são constantemente vigiados pela inteligencia artificial. Saido de um livro às telas do cinema, ‘‘O Circulo’’, trata de um mundo distópico, mas não tão distante da realidade, a cerca da manipulação, controle e opressão por meio da internet.
Primeiro, é importante destacar que todo o conteúdo e informação na internet, interage com o usuário de forma personalizada, ou seja, de acordo com a computação de dados previamente analisados por meio de um algoritmo que interpreta os perfis. Um exemplo claro disso são as redes sociais, onde os assuntos dos ‘‘posts’’ são selecionados a partir do que mais se tem afinidade.
Por consequência, o usuário se torna refém da maquina que escolhe tudo por ele, dando uma falsa sensação de autonomia semelhante ao conceito tratado pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman como ‘‘Liberdade Ilusória’’ na modernidade liquida. Nisso, os utilizadores são sutilmente acorrentados por um novo tipo de grilhão, limitando-os as mesmas coisas, sem acesso a diferentes assuntos, opiniões ou conceitos, fazendo com que permaneçam engessados à mesma bolha sócio-cultural.
Logo, tais mecanismo de persuasão e controle podem e são, utilizados com diversos fins, em pequena ou larga escala. Sejam em cenários políticos por exemplo, como a noticia exibida por meio de vários telejornais pelo mundo, de que Trump teria usado dados de milhões de usuários do Facebook a favor de sua campanha eleitoral. Ou em ‘‘sites’’ de relacionamento que filtram possíveis amantes mediante características físicas ou intelectualmente compatíveis com o que procura-se. Exemplos, estes, que atestam não só uma enorme insegurança e violação de privacidade com relação a proteção de dados pessoais no mundo digital, mas também uma completa passividade no uso das redes por meio de seus utilizadores.
Em suma, é necessário por em pratica ações que combatam o totalitarismo velado com que a internet e seus serviços vem sendo utilizados. Como criar, juntamento com o Ministério da Educação (MEC), por meio do auxilio econômico governamental, programas que não só alertem, mas ensinem, como fazer um uso mais consciente das redes, possibilitando uma real liberdade de escolha ao navegar. Além de investimentos em segurança e fiscalização dos dados armazenados nos perfis por intermédio do Ministério da Justiça (MJ), garantindo assim, uma maior segurança e privacidade nas redes.