Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

Enviada em 13/02/2020

O filosofo inglês Thomas More, em seu livro entitulado “Utopia”, descreve uma ilha cuja sociedade é organizada de forma considerada perfeita, baseada na democracia, na vida em comunidade e na baixa incidência de crimes. Entretanto, a historiografia demonstra que a democracia não é - e nunca foi - uma unanimidade na história da humanidade, diversos governos e governantes utilizaram-se no totalitarismo para conquistar e manter-se no poder. Nesse sentido, é basilar analisar os novos fatores relacionados à tecnologia que contribuem para políticas totalitaristas em pleno século XXI, como por exemplo as redes sociais e a constante vigilância estatal.

Numa primeira abordagem, cabe ressaltar a facilidade de disseminação de discursos de ódio, influenciados por pensamentos totalitaristas, nas redes sociais. Nesse sentido, o ativista político estadunidense Martin Luther King, em seu mais famoso discurso, afirmava que tinha um sonho: o de viver numa sociedade tolerante, pautada no respeito a todas as pessoas. Não obstante, nas redes sociais e fóruns on-line, muitas vezes sob o anonimato, são compartilhados diversos conteúdos de cunho totalitarista, intolerante e segregacionista que encontram na internet adeptos dispostos a divulgar tais assuntos. Desse modo, a facilidade de acesso a essas plataformas proporciona um terreno amplo para a criação e ampliação de ideias de caráter totalitário, incompatíveis com o ideal democrata.

Outro aspecto de suma importância é a constante vigilância estatal presente na sociedade moderna, por meio de câmeras de segurança, cadastros obrigatórios, entre outras formas. Esse tipo de problemática já esta sendo discutida há algum tempo, como por exemplo no livro “1984”, do escritor George Orwell, que retrata uma sociedade altamente vigiada pelo Estado, na qual as pessoas não possuem liberdades individuais, tampouco, privacidade. Diante desse quadro, é inegável que a informação obtida pelo Estado ou pela iniciativa privada é passível de uso para o controle da população seja de forma explícita ou implícita. Desse modo, esses dados obtidos de forma abusiva podem ser usados para diversos fins, inclusive para instalação de políticas autoritárias, como, por exemplo, acontece na China e na Coreia do Norte.

Conclui-se, portanto, que a tecnologia é algo que, para determinadas finalidades, pode ser muito perigosa para a sociedade. Nesse seara, cabe ao Poder Público, por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia, pautado pela democracia, desenvolver mecanismos voltados a segurança digital, que sejam favoráveis ao respeito e ao sigilo de dados pessoais, além de monitorar possíveis grupos on-line de cunho extremista. Assim, espera-se que toda forma de totalitarismo que infrinja as leis do país seja combatida e punida conforme preconiza a legislação brasileira.