Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 08/10/2021

Visto na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, sendo retratada uma sociedade perfeita, onde a base social se caracteriza pela ausência de conflitos. Entretanto, vemos que na realidade de hoje é completamente oposta da coletividade sublime defendida pelo autor, uma vez que a maternidade compulsória, no Brasil, apresenta dificuldades, as quais complicam a concretização dos planos de More. Nesse contexto, verifica-se a configuração de um grave problema, que tem como causas a falta de empatia do público e a má influência midiática.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a pressão social pela maternidade é altíssima e chega de todos os lados, até de onde menos se espera. Amigos, família, igreja, profissionais de saúde perpetuam discursos que misturam cobrança, ameaças de um futuro solitário e cheio de arrependimento, além da clássica romantização da maternidade.

Nesse rítimo, outra causa da Maternidade compulsória é a organização precária do próprio governo, para fazer com que seja difícil de uma mulher impedir de engravidar. Bem como mecanismos feitos por lei para impedir o aborto, que inclusive é um ato ilegal no Brasil, ajudam à firmar essa forma de opressão, em que uma mulher não pode decidir legalmente sobre o que acontece consigo mesma, e muito frequentemente opite por realizar o aborto de forma clandestina e perigosa, podendo causar até a sua morte. Diante desse cenário, é aplicável citação de Pierre Bordieu “o que foi criado para ser um instrumento de democracia não pode ser convertido em instrumento de opressão.

Portanto, como soluções dessa problemática, medidas exequíveis são imprescindíveis para alterar esse cenário infeliz. Para isso, o Ministério da Educação – órgão responsável pela educação pública do país- deve criar uma campanha que vise mitigar a pressão social da mulher pela maternidade. Os pais também devem conversar com meninas e mulheres jovens sobre maternidade. Estimulá-las a pensar sobre o que planejam para suas vidas quando o assunto é ter ou não ter filhos.