Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 29/09/2021
A Segunda Guerra Mundial, ocorrida em meados do século XX, alterou o papel social da mulher, já que passaram a assumir trabalhos considerados masculinos, além de cuidar dos filhos, pois os homens se encontravam nos conflitos vigentes. Atualmente, vivendo os reflexos desse fenômeno, percebe-se que ainda há uma visão antiquada acerca da obrigatoriedade da maternidade, muitas vezes, induzida de forma compulsória, assim, é evidente que esse tema merece atenção e deve ser debatido, seja em prol da quebra desse paradigma, seja como forma de contestação ao sistema patriarcal brasileiro.
Primeiramente, levando-se em consideração o Conceito da Violência Simbólica, elaborado por Pierre Bourdieu, certas minorias são induzidas a ver com naturalidade os ideais culturais dominantes, dessa forma, compreende-se que a maternidade compuslsória é fruto dessa imposição. Analogamente, percebe-se que as pressões sociais, unidas ao envelhecimento feminino, tendem a fazer que as mulheres cedam-se à gravidez, mesmo quando não é plenamente desejada, bem como a associação de aptidões de cuidado relacionadas a esse sexo. Portanto, é necessário uma alteração na conduta e forma de pensamento dos brasileiros como meio de se sanar esse problema.
Ademais, é válido ressaltar a Teoria dos Temas Tabus, proposta por Michel Foucault, em que a sociedade tende a evitar o debate de assuntos que causem desconforto, desse modo, é notório a falta de discussão sobre a maternidade compulsória. Tal fato se dá porque a hegemonia cristã patriarcal reivindica à mulher o papel único de mãe, como um compromisso natural divino, aliviando essa responsabilidade à figura paterna ao impor um dogma aos moldes da família tradicional brasileira. Logo, é evidente o quão antiquado é a enraização desse costume como parte da cultura do país.
Por fim, tendo em vista a questão da maternidade compulsória no Brasil, é preciso que o Governo Federal, no papel do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, promova campanhas sobre esse assunto, por meio das mídias sociais e de palestras em escolas, com a participação de profissionais especializados no assunto, a fim de que se propicie uma mudança comportamental e mais qualidade de vida.