Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 09/09/2021
No livro " A hora da Estrela", da escritora brasileira, Clarice Lispector, conta a história de vida de Macabéa, uma garota brasileira que de acordo com a autora, “não presta nem pra dar cria”. No sentido de julgamento descrito por Clarice, a mulher teria um papel de maternidade. Não obstante da ficção, tal circunstância é observada no Estado, uma vez que as mulheres, muitas vezes, sofrem pressão para serem mães desde a fase infantil. Nessa lógica, dentre os fatores que permitem que tal adversidade ocorra pode se destacar a dificuldade no acesso a métodos contraceptivos e uma educação conservadora que não oferece liberdade de escolha, tampouco uma educação sexual de qualidade.
Em primeiro lugar, Haja vistas essa circunstância, é de suma importância mencionar que o Estado dificulta o acesso a métodos contraceptivos para as mulheres. Nesse angulo, é possível mencionar o documentário do Youtube " Além do ventre", em que mostra um caso de uma mulher que foi impedida pelo médico de fazer a operação de laqueadura, pois nas palavras dele “suas equipe poderia não aceitar fazê-la, pois a garota era muito nova e podia se arrepender”. Essa circunstância, descrita pela entrevistadora, como comum no Brasil, infelizmente, mostra o quanto a Saúde pública ainda conserva um machismo estrutural no qual impede o direito de escolha das mulheres. Assim, sendo necessárias reformas ideológicas por parte do governo nessa instituição para que ela mude.
Por outro lado, bem como o sistema de saúde pública o ensino também está defasado ideologicamente. Uma vez que o preconceito com relação a gravidez começa desde o ensino escolar, em que as mulheres são tratadas como futuras mães. desse modo destaca-se a brincadeira de “Papai e mamãe” até as bonecas de bebê, que as garotas são incentivadas a cuidar. Nesse sentido, tal adversidade, pode ser confirmada por uma frase famosa do pedagogo brasileiro Paulo Freire ," se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Seguindo essa lógica, a obrigatoriedade materna, está, em suma, sendo influenciada pela educação machista do país.
Portanto, para que haja uma diminuição de tal compulsividade, é preciso que o Estado, por meio do SUS modifique o comportamento das unidades de saúde públicas, para que haja o cumprimento da lei de igualdade. tal ação ocorreria por meio de programas que ofereçam operações contraceptivas de forma gratuita e sem julgamento. Assim, ampliando o direito de escolha das mulheres. Por outro lado, o Estado por meio do “MEC”, deve, com o objetivo de modificar a estrutura machista do ensino estatal, oferecer campanhas nas escolas com debates sobre liberdade de escolha e o direito da mulher de escolher ser ou não mãe . Assim, mudando gradativamente, o posicionamento de julgamento tal como passado por Macabéa, além de enfraquecer a negativa compulsão mencionada.