Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 02/09/2021

Na distopia canadense “The Handmaid’s tale”, é retratada uma sociedade pós-apocalíptica na qual a mulher é vista como um objeto e influenciada a procriar forçadamente para aumentar o número de cidadãos. Fora da ficção, essa realidade abominável se assemelha ao modo como as brasileiras enfrentam a maternidade compulsória no país. Assim, seja pela falta de debates, seja pelo preconceito social, o problema ainda não foi debatido e resolvido no Brasil.

Pode-se dizer, a priori, que o silenciamento da maternidade e suas consequências na vida da mulher está entre as causas do impasse. Segundo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Todavia, com os escassos discursos sobre a criação de filhos e a participação maternal nesse processo, o governo desequilibra a população, uma vez que quase 60% das mães brasileiras não tiveram educação maternal antes de terem seus filhos- de acordo com a BBC News Brasil. Logo, se esse cenário continuar, a resistência feminina frente a essa compulsoriedade social não será eficaz.

Aliado a isso, a imposição e a ignorância da população brasileira em relação à maternidade funciona como catalizadora da problemática. Conforme Freud, tabu é tudo aquilo que a sociedade não debate ora por questões “morais”, ora por preconceito. Diante disso, a precária informação sobre o impacto da maternidade na vida da mulher, cuja educação e a formação profissional são, normalmente, comprometidas com a gestação prematura, permite o tabu sobre mulheres que decidem não ter filhos para se profissionalizar e ascender socialmente. Em suma, medidas públicas são necessárias para resolver esse impasse no país.

Portanto, diante dos fatos supracitados, a maternidade compulsória deve ser devidamente debatida no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação criará, por meio de um projeto de lei, medidas legais e eficazez. Entre essas medidas está o debate do assunto em escolas e propagandas sobre a gestação e suas consequências na vida socioprofissional feminina, as quais serão destinadas a todas as pessoas do país. Espera-se que, com essas medidas, a sociedade brasileira se conscientize sobre essa imposição vergonhosa e que a mulher possa desfrutar de uma vida saudável e digna.