Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 01/09/2021
Na sua teoria da “Tábula Rasa” o filósofo John Locke afirma que a mente é um papel em branco a ser preenchido ao longo da vida. Sob essa ótica, nota-se como a sociedade preenche a mente das mulheres, desde a infância, acerca da necessidade de procriar. Nesse sentido, o machismo estrutural aliado a uma falha na educação são fatores contribuintes para a maternidade compulsória. Dessa forma, são prementes debates acerca desse impasse, em nome do livre arbítrio das mulheres.
Faz-se imperativo salientar, em uma análise inicial, o fato do passado machista contribuir para a compulsão em ser mãe. Nesse sentido, Louisa May Alcott em sua obra “Mulherzinhas” aborda a visão arcaica do homem sobre o papel da mulher. Fora da ficção, é perceptível como o machismo enraizado no corpo social amplia essa questão. Isso porque muitos ainda possuem a ideia primitiva de que o único papel da mulher é procriar, surgindo uma pressão em agradar o parceiro nos dias atuais. Assim, em razão desse machismo, surge uma sociedade movida pelo passado sem perspectiva para evoluir.
É patente destacar, em segundo plano, a relação entre uma falha educacional e a maternidade compulsória. Nessa perspectiva, segundo Immanuel Kant, “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”. A partir dessa ótica, percebe-se como as meninas são educadas, de forma inconsciente, a seguirem os padrões impostos pela sociedade. Tal fato ocorre devido a brincadeiras e desenhos infantis que impõem, involuntariamente, a necessidade de ser mãe como única realidade possível. Desse modo, em função desse defeito na educação, poderá surgir a incapacidade de criar uma criança devido a problemas como depressão pós parto.
Depreende-se, portanto, que o passado patriarcal aliado a uma falha educacional contribuem para a maternidade compulsória. Nesse viés, é necessário que o Ministério da Educação promova campanhas publicitárias por meio de seminários nos quais sejam ministrados por mulheres bem sucedidas que não possuem filhos como forma de expandir o olhar da população para a capacidade de ter uma vida feliz sem procriar. Tal ação tem o fito de construir uma sociedade evoluída e livre de amarras de um passado permeado de mentes fechadas. Por conseguinte, será possível erradicar as idéias arcaicas que preenchem a mente de muitos.