Maternidade compulsória em debate no Brasil
Enviada em 02/09/2021
De acordo com o filósofo francês Jean-Paul Sartre, cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. Entretanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade no qual tanje a questão da pressão social sobre as mulheres para que elas tenham filhos. Nesse contexto, a maternidade compulsória torna-se um desafio no Brasil e persiste devido, não só a falta de debate, mas também a lenta mudança social proveniente de um legado histórico patriarcal.
Em primeiro lugar, é evidente que é lacuna discursiva acerca da maternidade é um grande responsável pela complexidade do problema. Segundo o filósofo francês Michel Foucault, no seu livro “arqueologia do saber” alguns temas são silenciados para que os pilares do poder sejam mantidos. Nesse sentido, percebe-se uma falha no que se refere em torno da maternidade forçada, que tem sido naturalizada e silenciada nas instituições escolares e religiosas, assim como no âmbito familiar. Dessa maneira, sem que ocorra um diálogo sério e massivo sobre o problema, sua resolução não será impedida.
Além disso, a vagarosa mudança no pensamento coletivo, oriundo de uma social herança machista, é uma que questão de interferência na liberdade de escolha das mulheres de serem mães. Conforme o clássico pensador Émile Durkheim, os fatos sociais moldam o modo coletivo de pensar. Sobre essa lógica, é possível analisar que a gestação é visto como um dever a ser exercido por elas, sendo fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, uma vez que, a sociedade foi fundamentada em um contexto pratiarcal e injusto, que tende a continuar reproduzir tal comportamento, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Portanto, conclui-se que o Ministério da Educação (MEC) deve promover eventos, divulgados por meio de campanhas midiáticas e sociais, utilizando os serviços de influências digitais - para alcançar o maior número de pessoas com o propósito de refutar a ideia enraizada na sociedade de que todas as mulheres devem ser mães, para que elas tenham a liberdade de escolha sobre o tema. Além disso, a Secretária de Educação deve promover debates em escolas, através de análises de filmes sobre o assunto, incluindo perguntas com os ginecologistas e sociólogos para os estudantes e seus responsáveis explicando os malefícios da maternidade compulsória, com intuito de diminui-la.