Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 21/09/2021

Na série Sex Education, a personagem Maeve engravida não intencionalmente. Com isso, vai a um hospital britânico abortar o feto. Conquanto, na realidade brasileira, as mulheres não costumam ter autonomia de escolha nem mesmo antes da gestação, uma vez que a maternidade compulsória é presente em grande escala no país, devido à romantização da maternidade e à falta de liberdades individuais femininas. Nessa perspectiva, medidas devem ser tomadas para mitigar esse impasse.

Sob esse viés, cabe apontar a ausência de liberdades individuais femininas na maternidade compulsória. Segundo o pensador Friedrich Nietzsche, moral de rebanho é um conceito filosófico que afirma existirem ações humanas movidas pelos costumes impostos na sociedade, bem como a maternidade. Sendo assim, muitas mulheres engravidam não por vontade prórpria, mas pela imposição de pessoas ao seu redor e pelo costume da maternidade à partir de certa idade adulta. Logo, uma mudança de postura social é necessária para uma maior liberdade individual no país.

Outrossim, vale ressaltar a romantização da gravidez. De acordo com o filósofo Platão, o amor Eros consiste nos prazeres  e na perpetuação da alma através da procriação. Apesar disso, a reprodução humana, principalmente hodiernamente, vai além do prolongamento de uma árvore genealógica e manutenção do espírito, sendo também um acréscimo de responsabilidades fraternais que cada vez se tornam mais difíceis de serem administradas, como saúde, educação, alimentação e lazer destinados à prole. Ademais, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 10 milhões de brasileiros passam fome. Por conseguinte, o quantitativo de mulheres em condições econômicas inadequadas à maternidade também é elevado, pois se não tem o que comer, não se tem como alimentar.

Portanto, é imprescindível que o governo, alinhado ao Ministério da Educação, promova nas escolas palestras com sociólogos e profissionais da sáude, que ensinem aos alunos quanto às responsabilidades durante a maternidade, mostrando todos os obstáculos financeiros e sociais advindos da procriação, a fim de que a visão romantizada da gravidez seja deixada para trás. Além disso, por meio do Ministério da Cidadania, comerciais televisivos e em sites, que divulgue o depoimento de mulheres adultas que decidiram não ter filhos por questões individuais e que se sentem realizadas por essa escolha, com o intuito de acabar com a imposição da gravidez e da moral de rebanho que é a maternidade. Assim, a gravidez no Brasil não será imposta, mas uma decisão de cada mulher, como em Sex Education.