Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 31/08/2021

Desde o surgimento da humanidade, entende-se que a mulher nasceu exclusivamente com a função de procriar a espécie humana. O objetivo do sexo feminino sempre foi “ser mãe”, “dar a luz”, era um ato compulsório, ou seja, obrigatório, visto que a mulher não podia trabalhar, apenas cuidar de sua casa. Hodiernamente, há uma flexibilidade em relação a este pensamento, mas, ainda sim, esses princípios permanecem, seja pela sociedade, seja pela influência do meio.

É incontrovertível que as concepções morais estejam entre as causas do problema. De acordo com o autor realista Machado de Assis, o homem é um ser desprovido de virtudes, isto é, é regido por um sistema social movido pela falta de valores. Analogamente, percebe-se que, no Brasil, a sociedade entra em harmonia com o pensador, uma vez que a mulher sofre uma pressão social significativa para ser mãe, não havendo um questionamento se ela quer ou não gerar um filho. Com isso, a falta de princípios morais está relacionado com o meio social, que aplica uma compulsoriedade para se ter uma criança, sem se importar com a vontade da genitora.

Outrossim, cabe ressaltar a influência do ambiente como impulsionadora do problema. Segundo o neurologista austríaco Sigmund Freud, as experiências vividas na infância, desde o nascimento, influenciam o indivíduo por toda a sua vida. Sob essa ótica, observa-se que o meio em que está inserido entra em analogia com a teoria do sábio, haja vista que há um consenso social em relação às meninas brincarem de boneca, de montar sua casa, ou seja, desde pequena é ensinada a ser mãe, como se esse fosse seu único papel social, influenciando seu pensamento no futuro a ter um filho, já que foi educada com esses princípios.

Dessarte, medidas são imprescindíveis para erradicar o entrave. Assim, em relação à pressão feita pela sociedade, urge que o Ministério da Mulher faça campanhas de representatividade, através de filmes e propagandas, sobre a imagem da mulher sem filhos, focando em outras áreas da sua vida, por exemplo, a carreira e a profissão, a fim de normalizar essa escolha de vida. Ademais, a alternativa para a influência na infância é que o Ministério da Educação, concomitantemente o Governo Federal, insira, na grade curricular do ensino fundamental e ensino médio, horários para que as meninas tenham consulta com psicólogo e, no mínimo, uma vez por semana, para acabar com esse pré-conceito e entender que não é obrigatório ser mãe, além de diminuir a pressão social sofrida diariamente. Dessa forma, espera-se abrandar a maternidade compulsória no Brasil.