Maternidade compulsória em debate no Brasil

Enviada em 26/08/2021

Segundo a teoria da “Tábula Rasa” do filósofo John Locke, o ser humano é um papel em branco a ser preenchido por experiências ao longo da vida. Analogamente, muitos brasileiros ainda são uma “folha em branco” em relação à maternidade compulsória. Nesse sentido, a pressão social e o machismo colaboram para a sensação de obrigação em ser mãe em várias mulheres. Dessa forma, são prementes discussões acerca dessa problemática para garantir os direitos e bem-estar das mulheres.

É patente pontuar, em primeira análise, que a pressão social pela maternidade está diretamente ligada ao tema. Sob esse prisma, parafraseando a escritora Sheila Heti, o sentimento de não querer ter filhos é o sentimento de não querer ser a ideia que o outro faz de mim. Dito isso, é evidente que a sociedade vê a mulher sem filhos como algo inquietador, que não segue os instintos “normais” do gênero feminino. Nesse viés, esse julgamento faz diversas mulheres tornarem-se mães para serem socialmente aceitas e validadas, sem se questionarem se estão preparadas economicamente e emocionalmente para tal fenômeno. Desse modo, a maternidade obrigatória pode gerar traumas tanto para a mãe quanto para o filho, que pode sentir-se sobrecarregado com os sentimentos de um adulto.

Ademais, é imperativo pontuar o machismo como motivador para a maternidade compulsória. Nesse contexto, o livro “O Impulso”, de Ashley Audrain, narra a história de uma mãe que tem dificuldade de se conectar com sua filha, o que impulsiona seu esposo a condená-la por não cumprir com suas obrigações maternas. Nessa perspectiva, o machismo enraizado na sociedade leva várias mulheres a acharem que seu papel no ciclo da vida é somente procriar e cuidar dos filhos, assim como merecerem críticas caso não cumpram com esse “dever”. Posto isso, surgem as consequências desse fenômeno, especialmente no ambiente profissional, que aponta que 50% das mulheres são demitidas após gestão, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas.

Infere-se, portanto, que a pressão social e o machismo potencializam a maternidade compulsória no Brasil. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova campanhas educativas, por meio de propagandas nos aparelhos midiáticos, em parceria com escolas públicas e privadas sobre os direitos das mulheres, com a finalidade de mitigar o preconceito e a pressão social da mulher em relação à maternidade. Assim, poderá haver indivíduos capazes de preencher suas mentes acerca da maternidade compulsória, como digo na teoria de Locke.