Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

Enviada em 27/10/2019

Difração

Sob a ótica da escritora Hannah Arendt, em seu livro “banalidade do mal”, a  inércia na sociedade pode provocar perversas consequências ao bem estar social.Todavia, o Estado em conjunto com a mentalidade consumista da sociedade são antagônicas a esse postulado, dado que, ao faltar uma atitude produtiva na coleta de recicláveis e a escassa reflexão sobre o impacto do lixo propiciam um ambiente cada vez mais nocivo.Nesse contexto, cabe analisar os elementos que nutrem essa estagnação social e governamental que agrava a problemática do lixo.

Deve-se pontuar, de início, a ineficácia da atuação do Governo em sua gestão relacionado as cooperativa catadores de reciclagem.Apesar de realizar um trabalho essencial para a sociedade, pela coleta e processamento dos recicláveis, sua estruturação pelo poder público é deficiente pela falta de contratação como prestador de serviço público pelos municípios, o que desestimula e enfraquece essas instituições.Dessa forma, a inatividade Estatal propicia a perda do potencial dessas organizações e consequentemente favorece o acúmulo de lixo, que dependendo do material, detém elevado tempo de decomposição, o que acelera os danos causados ao meio ambiente, como na contaminação dos oceanos e morte de animais marinhos.

Ademais, além de um impasse burocrático, ele perpassa aos níveis da consciência do corpo social.Nas comunidades judaico-cristãs, o ser era mais importante que o ter, entretanto, com o advento do capitalismo e de uma lógica incessante de consumo permeado por propagandas e influenciadores digitais, houve uma inversão de valores.Dentro dessa lógica, o consumo exacerbado acarreta uma cultura que cultiva o desperdício, o que reproduz o aumento exorbitante do lixo, que mediante ao seu descarte inadequado ocasiona doenças como leptospirose e cólera e até enchentes.

Fica nítido, portanto, que em viés contrário ao de Hanna Arendt a imobilidade governamental e social constrói um cenário de não só destruição do meio ambiente mas de enfraquecimento do conceito de cidadania, relacionado não execução de deveres para o equilíbrio social.Nesse prisma, é fundamental que através de incentivos fiscais do Governo Federal para com os municípios, haja contratação das organizações de catadores ,no que concerne ao pagamento de salário e regularização judicial das associações, para favorecer o crescimento da reciclagem.Além disso, que a mídia digital unido as escolas estabeleçam debates e palestras sobre a cultura do desperdício e desestimulem este com aulas de reutilização de produtos, para provocar menos danos a natureza.Com esses atos, a difração, termo da física referente a ultrapassar obstáculos, da sustentabilidade em meio a poluição acontecerá.