Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 25/11/2020
Em “Odiados pela Nação”, um episódio do seriado “Black Mirror”, nos é apresentado uma realidade distópica, no qual a sociedade civil, através de enquetes em redes sociais, pode votar pelo extermínio de pessoas que, por ventura, cometeram atos julgados imorais ou questionáveis pelo corpo social. Fora da ficção, a problemática dos linchamentos virtuais trás uma proposta semelhante à nossa sociedade atual, transformando internautas em juízes e carrascos autônomos, isso motivado pela cultura do politicamente correto, resultado em danos morais e reações desproporcionais.
Primeiramente, cabe inferir que o linchamento virtual está ligado a defesa ferrenha do politicamente correto, ou seja, da forma de expressão sem qualquer ofensa, resultando em uma crítica legitima sobre quais ideias não são mais toleradas na sociedade, entretanto, vem tomado um caráter punitivista e pessoal. De acordo com o jornal BBC News Brasil, o movimento começou para chamar a atenção à causas sociais e ambientais e hoje se apresenta como um ataque à reputação e aos meios de subsistência daquele subjugado como “cancelado”, que sofrerá o linchamento. Assim, evidenciam-se os motivos por trás processo do linchamento virtual e seu funcionamento através da manipulação e do medo, revelando a necessidade de repensar a forma de resposta á aquilo considerado inaceitável na sociedade.
Outrossim, a transformação das redes em grandes tribunais, muitas vezes anônimos, somado a uma reação desproporcional da sociedade, vem trazendo grandes danos morais, tanto à quem comete a fala inoportuna quanto a quem comete o linchamento, isso no âmbito civil e criminal. Em 2014 era implementado o Marco Civil da Internet, ou Lei n° 12.965/2014, a lei que regula o uso da Internet no Brasil por meio da previsão de princípios, garantias, direitos e deveres para quem usa a rede, bem como a permissão para processos por linchamentos virtuais por injúria, difamação e calúnia na internet. Dessa forma, a legislação é uma personificação do que a sociedade não é capaz de aturar, revelando a incongruência do movimento de linchamento a necessidade de reeducação sobre o mesmo, uma vez que tanto quem lincha, como quem é linchado na internet são, muitas vezes, processado por isso.
Enfim, para a resolução da problemática dos linchamentos virtuais, na sociedade brasileira atual, urge que o Ministério da Educação promova o trabalho e a compreensão do tema do linchamento virtual desde os anos iniciais do ensino fundamental. Isso através da inserção desses conteúdos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), visando conscientizar a sociedade civil sobre o tema e reduzir os danos causados no futuro, pois, como relembra Aristóteles “A virtude é advinda da instrução”.