Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 25/11/2020
Aristóteles já dizia “a base da sociedade é a justiça; o julgamento constitui a ordem da sociedade”. Isso significa então, que qualquer pessoa pode julgar o próximo com o mínimo de tolerância e respeito? O linchamento virtual se tornou um dos grandes problemas presentes na sociedade atual, isso porque esse desencadeia uma série de danos e consequências perigosos para muitas vítimas que o sofrem. Dessa forma, é imprescindível o debate quanto a propagação dos discursos de ódio nas redes sociais.
Ao mesmo tempo em que os serviços que as plataformas digitais nos disponibilizam abrem um mundo de oportunidades, também podem, facilmente, encorajar para criticarmos e humilharmos o outro. Sendo assim, não é à toa que no Brasil, observamos diversos linchamentos por dia. À vista disso, os usuários acreditam que têm o total poder de julgar as ações, acabando que por destruir a vida ou a carreira de outrem, deixando marcas nas vítimas, que precisam lidar com a rejeição, problemas de ansiedade, depressão e, por pior que seja, com a morte.
Outrossim, vale ressaltar que de acordo com o artigo 19°, “todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões”. Logo, os internautas que querem exercer esse seu direito devem ter cuidado para atuar em consonância com os direitos humanos. Além do mais, caso contrário, a internet passará a ficar cada vez duvidosa, se tornando um enorme transmissor de ódio contra os cidadãos, que apenas querem fazer o uso consciente de algo que os agregue, e não que pode os destroçar.
Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Segurança Pública amplie e aprimore as delegacias especializadas em crimes virtuais e em tecnologia cibernética, com mais competência. Ademais, as escolas, junto com as famílias, devem inserir a discussão sobre esse tema, através de especialistas, que explicam o quão grave tal ato é, para que desde cedo, seja desenvolvido a capacidade de acabar com a reprodução desses discursos.