Limites entre estética e saúde
Enviada em 07/01/2021
Corpos saudáveis
Ainda no século XIX, o escritor realista Machado de Assis, em sua obra “Memória póstumas de Brás Cubas”, realiza um crítica social sobre a idealização da mulher. No conto, o personagem machadeano reduz a mulher de seu interesse ao se questionar devido a um problema físico dela: “Por que coxa, se bonita? Por que bonita se coxa?”. Ao trazer o questionamento para os dias atuais, é fácil notar que a questão da idealização da pessoa perfeita, principalmente relacionada à beleza, é ainda mais presente na sociedade. A partir desse contexto, é fundamental entender os aspectos culturais dessa idealização, bem como as consequências relacionadas à saúde.
O primeiro aspecto a se considerar sobre a relação entre estética e a saúde é o modo de como elas se associam nos últimos séculos. Nota-se que, devido o crescimento da mentalidade mercantilista (quando o desejo de lucro é mais importante que o bem estar individual), o padrão de beleza passou a ser produto de mercado e vendido através da objetificação de corpos aparentemente saudáveis. Tal comportamento banalizou a procura de procedimentos estéticos como cirurgias plásticas e o consumo de drogas que ajudam a emagrecer.
Percebe-se, ainda, que muitas vezes a saúde para atingir o “corpo perfeito” é comprometida. O uso indiscriminado de hormônios e drogas que aceleram o metabolismo, por exemplo, podem acarretar em danos fisiológicos permanentes como alteração de produção natural de hormônios e no caso dos produtos que aceleram o metabolismo pode trazer problemas cardiorrespiratórios graves levando até mesmo a morte. Outro exemplo de procedimento que se torna cada dia mais comum é a procura por procedimentos cirúrgicos que sempre trazem diversos riscos associados.
Portanto, verifica-se que é necessário combater a cultura de comercialização de corpos saudáveis. Para isso é fundamental que, o ministério da educação, juntamente com o ministério da saúde, promova ações publicitárias não somente nas rádios e canais de televisão, mas principalmente nas mídias sócias de forma a expor com clareza os perigos da utilização de substâncias exógenas e também acerca dos procedimentos cirúrgicos mais populares como lipoaspiração. Tais campanhas também devem explanar sobre a existência transtornos de autoimagem indicando que muitas vezes tais questões relacionadas à beleza podem necessitar acompanhamento psicológico.