Limites entre estética e saúde
Enviada em 07/01/2021
No mundo globalizado e conectado pós guerra-fria a demasiada submissão das pessoas às redes sociais têm trazido grandes consequências. O culto ao corpo perfeito endeusado pela web tem se mostrado problemático. Pessoas perfeitamente saudáveis se submetem a dolorosas cirurgias invasivas para alcançar o visual idealizado pela mídia. A situação torna-se preocupante ao observar que é comum pessoas serem negadas em entrevistas de emprego por não se adequarem ao ‘padrão’ necessário.
O Instagram foi considerado, em pesquisa no Reino Unido, a rede social mais nociva a saúde mental dos jovens. Participantes da pesquisa relataram que a rede social provoca uma autocomparação com outras pessoas e que isso os fazia sentirem-se mal. Tal sentimento pode levar o individuo a aventurar-se em dietas malucas que prometem resultados milagrosos e que no final o único resultado é a deterioração da saúde física e mental.
O ideal da estética perfeita é etnocêntrico e marginaliza quem não encaixa-se nele. A idealização cria uma pressão sobre o indivíduo fazendo-o recorrer a procedimentos estéticos nem sempre confiáveis colocando sua saúde em perigo. É recorrente na televisão casos de procedimentos estéticos mal sucedidos, um dos casos mais famosos envolveu Andressa Urca que após passar por uma intervenção estética quase teve uma perna amputada. Quando o desejo por uma boa estética banaliza o desejo por uma boa saúde explicita-se que algo está errado na sociedade.
Quando o limite entre a estética e a saúde é desrespeitado o resultado é desastroso. É uma espécie de raio-x que mostra que a sociedade está doente e precisa repensar seus conceitos antes que seja tarde demais. Iniciativas que promovam belezas diferentes devem ser mais valorizadas pela população. O governo deve, por meio da Ancine, promover filmes e produções artísticas que incentivem a discussão em torno do assunto para que tal limite deixe de valer a pena ser ultrapassado.