Limites entre estética e saúde

Enviada em 05/01/2021

Para usuários das grandes plataformas digitais de relacionamentos, as ardilosas propagandas com promessas de mudanças corporais milagrasas, já não são mais novidade. Contudo, a cada dia, percebe-se um aumento significativo e contínuo de pessoas apostando suas convicções em procedimentos incertos e caros, em busca de uma beleza utópica. O cuidado físico visando saúde parece estar sendo banalizado e  fundando-se em  justificativas erroneas.

Em toda a história, nunca se esteve em um momento em que as informações espalharam-se tão rapidamento quanto o qual se vive. Da mesma forma, via de regra, as pessoas nunca se preocuparam tanto em alcançar saúde e beleza, independente dos meios empregados para tanto. Com essas duas questões ocorrendo concomitantemente, a todo o momento novas tecnologias e procedimentos são criados para satisfazer as ambições estéticas da população mundial e, por consequência, grandes problemas surgem, principalmete relacionados as questões psicoloógicas. A humaniade enfrenta um ápice de casos de pessoas mentalmente doentes - perdidas, dentre outros motivos, por conta de um tênue limite entre saúde e estetica - que se sentem insatisfeiras e inferiores por serem, naturalmente, incapazes de alcançar um nível de perfeição idealizado.

Da mesma forma em que uma perigosa linha de posicionamento se cria em defesa de procedimentos esteticos - em sua grande maioria, desnecessários - como salvação para o aumento da auto-estima, um crescente número de pessoas vêm à defesa do auto-cuidado e auto-aceitação, que poderiam ser atingidos, dentre outra formas, por meio de terapias psicologias e o diastamciamento de redes sociais e/ou “influencers” que não compactuem com esses princípios. Ainda assim, esse segundo posicionamento parece não ter a maioria dos adeptos. Assim, interveções estéticas, principalmente entre mulheres - que são o publico alvo mais visado pelas mídias, pois como afirma Naomi Wolf em seu livro “O Mito da Beleza”, a beleza é um sistema monetário - por pressões midiáticas e sociais, têm aumentado.

Pode-se concluir que, se a população mundial, por meio de diversos esforços, não compreender que o caminho da preocupação extrema com a estética é perigoso - e, possivelmente, catartrófico psicologicamente - direcionar-se-á a uma sociedade de muito mais gentes doentes. Se faz necessário que, em primeira instância, as escolas busquem atividades educativas acerca desse tema. Ainda, em segundo grau, que seja obrigatório o acompanhamento psicológico de pacientes que visem procedimento estéticos mais incisivos, seja em rede publica ou privada, num conjunto de esforços entre a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e Associação Brasileira de Psiquiatria.