Limites entre estética e saúde

Enviada em 02/01/2021

A série documental “A Indústria da Cura” retrata o mercado bilhonário de procedimentos estéticos que muitas vezes são prejudiciais a saúde. Nesse sentido, é relevante o debate acerca das causas que levam ao consumo de tais procedimentos e serviços, como a influência midíatica e a falta de leis e fiscalização de procedimentos de beleza.

Em primeiro plano, é notável o papel da mídia na influência dos padrões estéticos. Sob essa ótica, é pertinente considerar a ideia de “Indústria Cultural”, formulada pelos filósofos Adorno e Horkheimer, a qual aborda a produção cultural como uma mercadora destinada a comercialização em grande escala. Essa ideia relaciona-se aos limites entre estética e saúde, uma vez que a mídia -aliada a grandes empresas- gera à necessidade de procedimentos estéticos para alcançar o corpo dito como ideal perante a sociedade, através de comerciais, perfis em redes sociais e programas de tv. Dessa forma, a busca por tal padrão acarreta na perda de saúde fisíca e mental, uma vez que muitos dos procedimentos estéticos são evasivos e apresentam risco de vida.

Além disso, a falta de regulamentação sob procedimentos estéticos no Brasil é responsável pelo consumo deliberador de tais serviços. Nessa perspectiva, vale citar a frase do escritor brasieiro Paulo Coelho “conhecimento sem transformação não é sabedoria”, visto que embora exista informações sobre a valorização dos procedimentos estéticos não há orgãos resonsáveis pela fiscalização e manutenção de clínicas do gênero. Sendo assim, a sociedade têm a saúde prejudicada pela falta de controle estatal.

Portanto, cabe ao Ministério da educação -orgão responsável por organizar o sistema de ensino do país, além de definir as políticas e diretrizes educacionais- em parceria com o Ministério da Cultura, elaborar campanhas de conscientização acerca dos perigos dos tratamentos estéticos para a saúde, através de palestras escolares e comerciais vinculados a redes sociais e televisivas com o intuito de diminuir a procura por tais procedimentos. Além disso, cabe ao Poder Legislativo a elaboração de leis que visem a fiscalização de locais que ofertem esses serviços. Por fim, “A Indústria da Cura” não tirará saúde ao invés de proporcionar.