Limites entre estética e saúde

Enviada em 04/01/2021

A música “Pretty Hurts” da cantora estadunidense Beyoncé aborda de maneira crítica a pressão estética sofrida pelas mulheres ao longo do tempo. Ao falar sobre os procedimentos invasivos e coerção psicológica para realizá-los, a canção demonstra uma grande problemática atual acerca da imposição da aparência perfeita e seu impacto na saúde; sendo fomentado tanto pela massificação das intervenções estéticas e padronização da beleza, quanto pela banalização do bem-estar individual.

Com a popularização das redes sociais, tornou-se comum a propagação de um ideal estético na sociedade, coalizando indivíduos a adotarem uma postura de insatisfação com o próprio corpo e procurarem nas cirurgias plásticas um padrão de beleza para satisfazer a necessidade criada pelas mídias na busca da perfeição. Ademais, as chamadas “digital influencers” auxiliam nesse processo de trivialização do corpo ao incentivar de modo ilimitado a realização de feitios estéticos sem levar em consideração a saúde física e mental dos consumidores do seu conteúdo, contribuindo assim, para que pessoas cada vez mais jovens sejam influenciadas por essa indústria mercadológica.

Com isso, nota-se uma crescente banalização do corpo saudável juntamente com a exaltação do corpo belo. Dessa forma, a influência, por vezes nociva que as redes sociais exercem nos usuários pode desencadear uma série de efeitos maléficos nos indivíduos; da ansiedade à depressão, a frustração e comparação constantes com a idealização virtual só reafirmam a vulgarização da saúde. Em um país líder na realização de cirurgias plásticas, observa-se que tais problemas apenas ratificam a necessidade de atenção no consumo do conteúdo online, responsáveis pela mercantilização do bem-estar e construção de uma exigência imagética inatingível do corpo.

Destarte, é necessário que o CONAR (Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária) atue fiscalizando as propagandas e publicidades que incentivem de forma prejudicial a realização de intervenções corporais que perpetuem uma forma de lesar a saúde da população. Através de uma ação conjunta com o Ministério da Saúde, o órgão regulamentará os anúncios publicados na imprensa e na internet que ferem a ética publicitária e divulgue informações nocivas à saúde. Para que assim, a problemática seja amenizada e as pessoas não fiquem à mercê de conteúdos inadequados que mediocrizem sua segurança.