Limites entre estética e saúde

Enviada em 02/01/2021

No século XX, durante a Segunda Guerra Mundial, a medicina passou por intensos avanços. Essa área da saúde possibilitou a recuperação de indivíduos que adquiriram deformações decorrentes da guerra. Paralelo a isso, no Brasil contemporâneo, a interferência médica sobre a estética humana é uma realidade crescente. Esse fato, entretanto, proporciona o surgimento de uma problemática, visto que mudanças corporais são diretamente influenciadas por canais midiáticos, o que, muitas vezes, provoca a valorização da estética, em detrimento da saúde do indivíduo.

Em primeiro plano, é lícito postular que a pressão estética contemporânea tem relação direta com o padrão de beleza estipulado pelos canais midiáticos. Segundo o sociólogo Guy Debord, em sua obra “A Sociedade do Espetáculo, o indivíduo contemporâneo é constantemente estimulado a construir um padrão comportamental e estético baseado no consumo. Nessa perspectiva, entende-se que o grupo social é manipulado pelos meios de comunicação midiáticos, os quais utilizam um padrão estético para o estimulo ao consumo de produtos que em tese permitem o alcance da beleza ideal. Diante disso, nota-se que o sujeito pensante atual é constantemente pressionado pela estética irreal propagada pela mídia e, consequentemente, busca de forma incessante o alcance desse padrão.

Em segundo plano, é necessário salientar a responsabilidade médica sobre os procedimentos estéticos. Nessa perspectiva, de acordo com Immanuel Kant, no seu “Imperativo Categórico”, o indivíduo deve, independentemente das consequências, agir de maneira ética. Sob esse prisma, observa-se que os profissionais da saúde devem priorizar o bem-estar individual, em oposição ao lucro, ou seja, realizar procedimentos estéticos apenas em ocasiões necessárias e que não provoquem riscos ao paciente. Dessa forma, entende-se a importância da responsabilidade médica para evitar empecilhos para a saúde individual e coletiva na sociedade.

Infere-se, portanto, que a pressão estética atual é uma intempérie no corpo social contemporâneo. Por isso, o Ministério da Saúde, consoante à Organizações Não Governamentais que estimulam a autoafirmação identitária, devem, por intermédio de canais midiáticos, promover campanhas que mostrem como a beleza é diversa e não se enquadra apenas em um padrão, a fim de desestimular a sociedade a buscar alternativas médicas para o alcance de uma estética de consumo. Ademais, cabe ao Conselho Federal de Medicina, por meio de multas aos profissionais que infringirem o Código de Ética Médica, reduzir o número de cirurgias plásticas que ocorrem sem necessidade e provocam riscos aos pacientes, no intuito de reduzir a quantidade de recursos médicos utilizados para fins unicamente estéticos.