Limites entre estética e saúde

Enviada em 03/01/2021

Em 2019, de acordo com a “Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica”, o Brasil se tornou o país que mais realiza procedimentos estéticos no mundo. Evidentemente, o alto índice de operações pláticas, no país, relaciona-se com a desinformação sobre os limites entre a estética e a saúde, e com a irresponsabilidade publicitária — tanto de clínicas estéticas, quanto de indústrias farmacêuticas —, o que acarretou na banalização de cirurgias plásticas, de dietas altamente restritivas e da ingestão de “remédios milagrosos”.

Ademais, a supervalorização da magreza e a busca pelo “corpo perfeito” são características instrínsecas na sociedade contemporânea brasileira, apesar de serem padrões irreais e inalcançáveis. Entretanto, é indubitável que a cultura da magreza é totalmente prejudicial — principalmente às mulheres —, e pode acarretar em distúrbios alimentares  graves, como a aneroxia e a bulimia; ou também na adesão de dietas milagrosas que restringem, ao máximo, a quantidade e a variedade de alimentos a se consumir em um determinado tempo. Apesar de ambos comportamentos, inegavelmente, serem prejudiciais à saude em curto e longo prazo, ainda há um alto desconhecimento sobre os malefícios dessas práticas — sobretudo, das que aparentemente são inofensivas —, o que permite que a estética se sobreponha à saúde.

Além disso, segundo a “SBCP”, o Brasil também é o líder no ranking de intervenções estéticas entre adolescentes, o que demonstra o quanto as operações foram naturalizadas no subconsciente do brasileiro. Indescutivelmente, o alto número de procedimentos e a banalização deles, coincide-se com a mudança na estratégia de marketing de clinicas estéticas e marcas farmacêuticas, que estão preferindo dar seus “remédios milagrosos” e fazer os procedimentos em “influenciadoras”, por meio da “permuta” — a empresa oferece o serviço em troca de divulgação. Contudo, é uma prática totalmente irresponsável, por conta irresponsabilidade publicitária presente nesse meio, no qual quem está fazendo a divulgação raramente informa sobre os riscos à saúde e os efeitos colaterais, e apenas valida a intervenção (ou o uso do remédio) como uma solução concreta e rápida, o que desinforma seus seguidores e os coloca em risco.

Portanto, visto que a exaltação da magreza e a negligência publicitária contribuem para a sobreposição da estética à saúde, cabe ao “CONAR”, através de uma pasta especializada, ficalizar rigorosamente empresas que utlizam “permuta” como marketing, e junto ao “CMF”, proibir essa prática e retirar a licença de clínicas e farmacêuticas que à utilizarem, e juntas, criarem um manual de como publicidade responsável, no meio, deve ser feita. Assim, a saúde voltará a ser uma prioridade.