Limites entre estética e saúde

Enviada em 30/12/2020

No clássico “A sociedade do espetáculo”, Guy Debord apresenta a sociedade do consumo, pautada sobre a supervalorização da imagem pela qual se dão as relações sociais, ou seja, defini-se o espetáculo como a relação entre pessoas mediadas por suas aparências. No Brasil, é indubitável que os limites entre estética e saúde ainda causam grandes entraves sociais, consequentizando a alienação do culto ao corpo ideal e o abandono do bem-estar e da saúde coletiva, ainda enfatizando a beleza escultural, o que logo remete-se ao clássico referido anteriormente Destarte, é necessário analisar os fatores que fazem destra problemática uma realidade contemporânea.

Deve-se pontuar, de início, que a alienação da aparência física leva o indivíduo a uma escravidão de uma “imagem fantasiosa”. As ações mercadológicas e midiáticas criaram dentro do universo dos personagens heróicos - por exemplo: Mulher Maravilha e Capitão América - a espetacularização do corpo, tornando-os referências para a ascensão de uma imagem corporal ideal e positiva, entretanto, a  consequente obssessão de homens e mulheres em alcançar tal objetivo torna-se compulsiva e problemática para a saúde mental. Nesse sentido, as atvidades físicas, cosméticos e cirurgias se tornam inimigos dos indivíduos, haja vista que ocorre uma distorção da realidade ao tentar reproduzir aquilo que é fictício.

Por conseguinte, vale ressaltar, ainda, que as instituições estatais não fornecem o devido amparo ao bem-estar e à saúde coletiva. De acordo com a filosofia política de Aristóteles, o governante da nação deve priorizar o bem comum, em detrimento de si próprio, uma vez que está inserido em um meio social, todavia, nota-se que o Governo brasileiro não efetiva o direito à saúde em sua totalidade. Diante do crescimento de cirurgias estéticas, algumas pessoas sem capacidade técnica e formação, têm oferecido esses serviços, em condições precárias e inadequadas e evidentemente perigosas, como foi o caso do médico clandestino Denis furtado, mais conhecido como “Doutor Bumbum” que praticava tais procedimentos. Isso posto, é certo afirmar que a filosofia aristotélica ainda não é exercida no Brasil.

Portanto, é indispensável efetivar medidas que desenvolvam os limites entre a estética e a saúde. Com isso, o Ministério da Saúde, juntamente com a Indústria Midiática, devem colaborar na capacitação profissional para médicos e professores com aulas e campanhas específicas, assim como a transmissão de programas instrutivos nas mídias sociais e televisivas - séries e novelas -, a fim de incentivar a população em práticas, como, por exemplo, o autocuidado e a aceitação da diversidade corporal. Somando-se, o Poder Executivo realizar a  efetiva fiscalização e realidade das Leis da Saúde, para que, assim, o Brasil seja um país evoluído.