Limites entre estética e saúde
Enviada em 03/11/2019
No hodierno cenário global, há uma capitalização da beleza, representada pela abundância de produtos cosméticos e tratamentos químicos e cirúrgicos, que são realizados com a finalidade de provocar uma mudança na aparência para que a pessoa se adeque aos padrões de beleza tão frequentemente difundidos pela mídia. Contudo, não raramente estes procedimentos estéticos acabam pondo em risco a saúde de quem os realiza, o que levanta o questionamento acerca dos limites entre a saúde e a estética. Dentro desta discussão, é imprescindível analisar o custo-benefício destas mudanças no corpo e não se deixar manipular pela comercialização da beleza, de forma que as pessoas se aceitem do jeito que são e não se coloquem em risco desnecessário por questões de estética.
Segundo o filósofo Georg Hegel e sua corrente do Historicismo, a beleza, assim como outras coisas, varia de acordo com a cultura da sociedade e com o momento histórico. É indubitável afirmar que houve uma mudança nos padrões de beleza com o passar dos anos. Antigamente, a fartura representava a beleza, pois era sinônimo de riqueza. Em comparação, atualmente há um estímulo provocado pela mídia de busca ao corpo perfeito, que despreza a gordura e a vê como sinônimo de doença. Isso leva principalmente as mulheres a desenvolverem distúrbios alimentares, tais como anorexia e bulimia, que em casos extremos podem levar à morte.
Outrossim, essa busca pelo corpo perfeito frequentemente está associada a um problema interno de baixa autoestima, em que a pessoa apenas enxerga os seus defeitos e tenta preencher um vazio interno mudando seus aspectos externos, o que na maioria das vezes é falho, pois além de prejudicar a própria saúde e o próprio corpo não resolve o verdadeiro problema, levando a realização de mais procedimentos cada vez mais frequentes e riscos ainda mais sérios à saúde.
Todavia, o principal culpado pela exigência estética é a mídia, que promove modelos estéticos irreais a fim de vender uma imagem ou um produto. Grande parte dos famosos realizam procedimentos cirúrgicos ou mudam sua imagem por edição, para passar a imagem do corpo sem defeitos. Foi com base nisso que a empresa Dove lançou a campanha Real Beauty, usando várias modelos com diferentes tipos de corpo para passar a imagem de pluralidade do corpo perfeito.
Depreende-se, portanto, que a busca exagerada pela perfeição estética gera sérios riscos à saúde e deve ser evitada através de estímulos a aceitação do próprio corpo e da promoção da diversidade, o que deve ser promovido pela mídia, assim como uma substituição da obsessão pelo corpo por maiores cuidados com a saúde. Procedimentos arriscados devem ser proibidos e as pessoas aconselhadas.