Limites entre estética e saúde

Enviada em 01/11/2019

De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, o Brasil é o segundo país que mais realiza esse tipo de operação, ficando atrás somente dos Estados Unidos. Além disso, a pesquisa revela que mais da metade dos casos ocorrem por fins estéticos. Devido a essa busca pelo padrão de beleza, tem-se consequências negativas para a saúde física e mental do indivíduo, como o desenvolvimento de transtornos alimentares.

Nessa perspectiva, é importante salientar que, segundo o filósofo Foucault, o conceito de beleza é variável conforme o desenvolvimento da sociedade. Com isso, historicamente, tem-se a imposição, por parte da mídia e seus veículos, de padrões de beleza, muitas vezes, insustentáveis. Um exemplo pode ser visto nos desfiles de moda nacionais e internacionais, onde ocorre, majoritariamente, um estímulo à magreza em excesso. Em decorrência disso, como forma de evitar a exclusão social, alguns cidadãos acabam recorrendo à métodos que, posteriormente, podem implicar transtornos alimentares, como a bulimia e a anorexia.

Ademais, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é a segunda maior causa de morte no mundo. Sendo assim, vale ressaltar que um dos motivos para o desenvolvimento dessa doença corresponde a não aceitação do corpo. Sabendo disso, com o objetivo conciliar saúde e estética, a empresa de cosméticos Natura, alterou algumas de suas propagandas, incluindo pessoas de diferentes formas corporais, o que estimula a aceitação da diversidade.

Dado o exposto, cabe aos institutos educacionais, com o auxílio do Ministério da Saúde, promover campanhas que incentivem os cidadãos a reconhecerem a diversidade corporal, por meio propagandas e palestras com profissionais da saúde. Dessa forma, será possível reduzir os índices de cirurgias desnecessárias, respeitando os limites entre saúde e estética e, consequentemente, diminuir as doenças decorrentes da busca pelo padrão de beleza atual.