Limites entre estética e saúde
Enviada em 17/10/2019
Segundo Immanuel Kant, o belo é aquilo que agrada universalmente a sociedade, sem necessidade, contudo, de uma compreensão racional. De maneira análoga ao pensamento do filósofo prussiano, ainda hoje é possível observar uma constante busca do homem pela máxima padronização estética. Entretanto, os recursos utilizados para obtenção de tais atributos, pressupõem, nos mais diversos âmbitos, riscos à saúde física e psicológica dos indivíduos em questão. A saber, no Brasil, a problemática é agravada pelos veículos midiáticos, que somados à impunidade de procedimentos ilegais, coíbem o cenário díspar da beleza e saúde na população.
Em primeiro plano, é possível analisar que os princípios de aparência aceitos pela sociedade fogem dos aspectos físicos de grande parte da população. Nesse sentido, há de se observar que o desejo de se incorporar ao padrão instituído pela comunidade, cresce, diante do avanço tecnológico. Isso porque, com o advento exponencial dos meios de comunicação, a influência midiática pôde adquirir um tomo significativo na autoestima corporal de homens e mulheres. Esses, coagidos pelos valores estéticos de filmes e novelas brasileiras, são direcionados a uma autocobrança estereotipa insustentável para o próprio metabolismo. Desse modo, o pensamento do filósofo antigo Sócrates é rebatido pela incessante busca estética, visto que sua teoria fundamenta-se na saúde do corpo como enobrecimento da alma.
De outra parte, há de se observar que o Estado nacional mostra-se impotente frente à incisão punitiva de medidas irregulares na prática dos procedimentos supracitados. Sob essa perspectiva, é inquestionável reparar que o vigente código legislativo abrange, atualmente, penalização para crimes relacionados a erros médicos. No entanto, o sistema de averiguação acerca da legalidade de clínicas e profissionais atuantes no ramo estético, conjectura-se a um cenário de trivialização por parte do governo. Diante disso, os casos de morte por fracassos em cirurgias plásticas crescem a cada ano e associam a questão à teoria de Johan Goethe, cujo pensamento se fundamenta na necessidade da predisposição governamental para a resolução de problemáticas à sociedade.
Depreende-se, portanto, medidas eficiente para a o pleno estabelecimentos dos limites entre a estética e a saúde. Para tanto, é papel da mídia - com de seu papel conativo - promover campanhas e produções televisivas que contemplem a diversidade corporal, com o fito de promover no público alvo o sentimento de representatividade, e consequentemente, inclusão social. Cabe, ainda, aos Conselhos Regionais de Medicina, a denúncia de irregularidades, de modo que as autoridades responsáveis possam coibir o exercício de atividades ilegais e, dessa forma, mitigar os riscos aos pacientes brasileiros. Dessa forma, a sociedade poderá viver uma realidade contraposta ao pensamento kantiano.